
Uma cromédia
Jonathán Pimentel, SAN JOSÉ, , Outubro 29, 2005
De como se fez noite e não nos disseram. Uma cromédia
A Costa Rica vai Taxi Heathrow Airport para a Copa do Mundo de Futebol. Essa notícia consumiu pelo menos a metade do tempo e do espaço dos noticiários e periódicos do país. A euforia não admite reparos. Que continue o treinador Guimaraes ou em seu lugar contratarão o prof. Medford. Questão escabrosa.
Não obstante, a Costa Rica já tem, por sorte, intelectuais do futebol. Por certo, esses têm os programas de maior audiência do rádio nacional. Alguns até falam inglês. Eles saberão resolver o dilema.
Mas isso não é tudo na Costa Rica. Os principais canais de televisão dedicam pelo menos três horas ao dia para reproduzir as agudas reflexões sobre a última bebedeira de algum ator mexicano-norte-americano, provenientes das melhores cadeias de jornalismo da América Latina: Televisa e Univisión.
É coisa de da risada quando sentenciam que: talvez existam notícias mais importantes na América Latina do que o último escândalo de Paulina Rubia porque a sua pequena cachorra rompeu uma unha. Inclusive, e isso é coisa de algum prêmio, enquanto o Katrina devastava Nova Orleans fizeram uma oração... em nome de Thalia. Até o presidente da República participou, on line, do exitoso big brother.
Assim, enquanto nesses meses é decidido o futuro das próximas gerações do país, carinhosamente um canal oferece entrevistas com estrelas do futebol infantil, no qual a meninada nos explica como chutar a bola como profissionais. Quanta generosidade!
A Costa Rica é privilegiada por uma classe política bilingüe e patriótica. Algumas vezes os perseguem: que dedicam a metade de sua jornada a revisar pornografia na Internet; acusam os diretores do canal 7. Mas, horas mais tarde, nos oferecem os endereços dos principais clubes noturnos da capital.
Pois claro: se se paga para usar e abusar de uma pessoa, está bem. É intercâmbio de propriedade privada. O problema é a utilização gratuita. Mas nossa classe política não se comove. Eles - alguns - mantêm a firme convicção de que o seu trabalho envolvente não admite distrações. O Tratado de Livre Comércio ou a morte, afirmam enquanto a jornalista lhes mostra os endereços de sites pornográficos que foram consultados em seus gabinetes.
A Nicarágua nos rouba soberania, diz, indignado, o cronista. Mentem (são comunistas - terroristas) aqueles que afirmam que o Tratado de Livre Comércio limita a capacidade dos cidadãos da Costa Rica de autodeterminarem sua agenda política. A culpa é dos nicaragüenses... Como não nos demos conta disso antes.
E as instituições de educação teológica? Algumas desde antigas eras o sustentam: o capital financeiro internacional do que é do capital financeiro internacional. Nos negócios de seu pai estão ocupados. Outras, com honestidade monumental: que seja o que Deus quiser... e geralmente Deus quer o que querem os generais. Há outras, as mais progressivas, que se vão com a onda... outro mundo é possível, mas até que se tenha destruído este totalmente. Coisa trabalhosa, é melhor começar do nada. “Creatio ex nihilo”. Assim vamos levando na Costa Rica.
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Jonathan Pimentel, Seminário Teológico Batista da Costa Rica

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