Feira do Livro Antigo aborda religião e invasão inglesa
Hilario Wynarczyk, BUENOS AIRES, Argentina, Outubro 28, 2005
De quinta-feira a domingo, o amante da leitura e história poderá deliciar-se na II Feira do Livro Antigo de Buenos Aires, que tem como eixo a invasão inglesa de 1806, um tema de interesse para católicos e protestantes por causa da dimensão religiosa.
No período em que os ingleses dominaram Buenos Aires, eles decretaram a liberdade de comércio, ofereceram garantias aos habitantes, assegurando-lhes espeito à propriedade e o direito de professar a religião católica; aos funcionários públicos e magistrados, garantiram a permanência em seus cargos.
Os invasores impuseram por um breve período a tolerância de culto no Rio da Prata e, mais tarde, a retomaram, em 1852, mediante o Tratado de Amizade e Comércio com o governo das Províncias Unidas, que oferecia garantias para os protestantes britânicos.
As estratégias da invasão confiavam que trabalharia a seu favor a contradição entre o monopólio colonial do comércio do Rio da Prata e os interesses dos habitantes, que queriam liberdade de comércio.
Os ingleses não estavam suficientemente informados, contudo, das implicações dessa contradição num contexto maior e não levaram em consideração o peso das crenças religiosas.
A luta contra os ingleses para a libertação do território teve na fé católica colonial um componente cultural ativo, além das ações do clero, que dizia que os ingleses eram hereges.
Os ingleses condicionaram aos habitantes um juramento de lealdade ao rei Jorge III em troca da cidadania britânica. Esse fato, incorporado a suas medidas políticas, produziu fortes divisões na população, parte da qual se opunha completamente ao juramento a súditos.

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