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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Comunicadores encaminham propostas à WACC

Edelberto Behs, SAO LEOPOLDO, Brasil, Setembro 26, 2005

Aprofundar o caráter cristão da Associação Mundial de Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês), Taxi Heathrow Airport reduzir para 15% do seu orçamento o custo do aparato administrativo central até 2008, e transferir a sede de Londres para um país em desenvolvimento do hemisfério Sul, são propostas que comunicadores brasileiros encaminharão ao Comitê Executivo do organismo, que estará reunido de 1 a 6 de outubro na capital inglesa.

As propostas foram definidas no encontro da WACC Sub-Região Brasil, realizado nos dias 24 e 25 de setembro, em São Leopoldo. Os comunicadores sugerem, ainda, a descentralização administrativa do organismo mundial e que o foco dos projetos na área da comunicação para o desenvolvimento e para uma cultura de paz sejam coordenados pelas regiões e não mais pelo escritório central de Londres.

A Sub-Região Brasil vai apoiar a Semana pela Democratização da Comunicação, que será lembrada no país, este ano, de 17 a 22 de outubro. O encontro em São Leopoldo reuniu 17 comunicadores, a maioria de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Na sexta-feira, 23, a Editora Sinodal promoveu o lançamento do livro “O que é o Islã”, de Melanie Miehl. O evento integrou a programação da WACC e teve lugar na biblioteca pública da cidade, seguido de debate com especialista sobre a Organização de Libertação da Palestina (OLP).

Antes de entrar em questões administrativas, comunicadores debateram o tema "Fundamentalismos, poder político e comunicação", incentivados pelas reflexões trazidas pelos professores Oneide Bobsin, da Escola Superior de Teologia (EST), e Adolpho Carlos Françoso de Queiroz, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).   

Recorrendo ao sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o professor da EST mencionou que o fundamentalismo religioso, ou de outra ordem, sempre vai ter clientela no contexto da miserabilidade. O empobrecimento e a  miséria crescentes rompem a rede de solidariedade dos povos. O fundamentalismo exerce um fascínio porque promete emancipar os convertidos da agonia das escolhas.

"Alguém dizer o quê e como fazer deixa as pessoas menos angustiadas", explicou Bobsin, admitindo, contudo, que se trata de uma tremenda supressão da liberdade pessoal. "É um paradoxo", reconheceu. "A religião passa a dar identidade e sentido às pessoas, e serve menos de fundamento para a sociedade", emendou.

O estudioso da Ciência da Religião frisou, no entanto, que o fenômeno do fundamentalismo não se limita ao empobrecimento, mas também está relacionado a uma revanche contra a secularização ocidental que avança sobre outras culturas.

No Ocidente iluminista, apontou, o aspecto religioso foi colocado na área do privado. É coisa de foro íntimo. Contrariando todas as profecias dos anos 70 do século passado, que indicavam para uma sociedade cada vez mais secularizada, sem Deus, os fundamentalismos trouxeram a religião para a praça pública.

No despertar de grupos religiosos apareceram os movimentos pentecostais e neopentecostais. O pentecostalismo, disse, dá uma certa racionalidade à vida dos miseráveis, que se encontram num ambiente onde o Estado está ausente, não existe escola, saúde, segurança e nem mesmo igreja. "É impressionante ver como as pessoas da periferia conseguem fazer muito com pouco", analisou.

Pessoas miseráveis vêem nessas ofertas um apoio que as sustentam na resistência diária às intempéries da vida e da condição social. Por isso, Bobsin não faz uma crítica iluminista dos fundamentalismos e nem os demoniza. Mesmo porque ele não enquadra os movimentos pentecostal e neopentecostal na caixinha dos fundamentalismos.

O professor Adolpho Queiroz, da Comunicação Social da Umesp, fez um apanhado histórico do uso do marketing político no Brasil, destacando que não se trata de novidade das campanhas atuais. O quarto presidente da República Federativa do Brasil, Manuel Ferraz de Campos Sales, eleito em 1899 e que governou até 1902, já escrevera livro sobre propaganda política. Desde então, a área evoluiu e foi se profissionalizando, ciclicamente.

Queiroz destacou que os comunicadores não precisam dos políticos, pois podem atuar em vários outros setores. "Os políticos, sim, precisam dos comunicadores", disse. O professor da Umesp mostrou, contudo, que esse é um importante mercado de trabalho, pois atende, a cada dois ou quatro anos (períodos de eleições no Brasil), a um público estimado em mais de 2,5 milhões de candidatos nos 5.561 municípios brasileiros.