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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Festival mostra filmes sobre Direitos Humanos

Esteban Cuya, NUREMBERG, Alemania, Setembro 21, 2005

A cidade de Nüremberg, abrigará, de 26 de setembro a 5 de outubro, o 4. Festival de Cinema sobre Direitos Humanos. O festival é patrocinado pelo cineasta alemão Michael Verhoeven, que realizou mais de 30 produções para o cinema e a televisão, entre elas “A rosa branca” (1982), “Mãe coragem” (1995) e “O protocolo do Brasil” (1992).

“Por causa de sua história vinculada ao regime nazista, a cidade de Nüremberg sente-se em grande medida obrigada a contribuir de forma ativa para o desenvolvimento da paz e dos direitos humanos no mundo”, disse o prefeito local, Ulrich Maly, ao apresentar o catálogo do Festival.

O festival oferece à população a possibilidade de aproximar-se dos problemas mundiais, mesmo sem estar nesses territórios, e manifestar solidariedade a outros povos. “Um filme não pode mudar o mundo, mas nós podemos eleger entre ser observadores passivos ou tentar mudar a situação”, afirmou Maly.

Para o prefeito, o Festival do Cinema em Direitos Humanos é um convite ao apoio da universalidade desses direitos, um desafio ao trabalho para que os direitos humanos sejam desfrutados por todos neste mundo.

O diretor do Festival, Matthias Fetzer, declarou que “todo o mundo vem a Nüremberg” nesses dias, através dos cineastas que oferecem suas películas em duas semanas consecutivas no marco do Prêmio Internacional de Direitos Humanos.

A cada dois anos, Nüremberg concede esse prêmio, que, nesta edição, será outorgado à presidente das Mães contra a Tortura e Pena de Morte do Uzbequistão, Tamara Chikunova.

Na edição 2005 do Festival serão mostrados 80 filmes procedentes de 30 países, de um total de 600 enviados para a comissão que faz a seleção para a mostra. As películas deste ano mostrarão desde o conflito entre Israel e Palestina, até as vantagens e desvantagens da globalização e o abuso de poder.

“Algumas vezes em abril”, do haitiano Raol Peck, abrirá o festival. O filme trata do genocídio em Ruanda, baseado nas histórias dos irmãos Augustin e Honoré Muganza, da etnia Hutu, e sua atuação como soldado ou como repórter de rádio, orientando os esforços no extermínio da etnia tutsis.

“Trata-se de um problema mundial”, explicou Peck sobre a sua produção. O mundo inteiro ignorou o drama do que estava acontecendo em Ruanda, interpretando-o como um conflito entre tribos africanas nos quais não caberia se imiscuir, agregou.

Em 14 semanas apenas foi assassinado 1 milhão de pessoas em Ruanda, genocídio que contou com a indiferença dos governos, como o dos Estados Unidos, cujos representantes bloquearam uma ação rápida da Organização das Nações Unidas no caso.

Também será mostrado o filme “O agrônomo”, do diretor norte-americano Jonathan Demme, inspirado na biografia de Jean Dominique, jornalista e ativista de direitos humanos no Haiti, que enfrentou abertamente a opressão e violência do ditador Papa Doc Duvalier.

A história de mais de 50 mil crianças que foram encarceradas pelas autoridades filipinas entre 1995 e 2000 é contada pela cineasta Ditsi Carolino, sob o título “Bunso, o mais jovem”. A problemática das empresas maquiadoras é apresentada no filme “Mardi Gras: Made in China”, do norte-americano David Redmon.

Da América Latina serão exibidos, entre outros, os filmes “Salvador Allende”, do chileno Patrício Guzmán, “Vozes inocentes”, do mexicano Luis Mandoki, e “O imortal”, da espanhola Mercedes Moncada, que mostra a guerra entre os paramilitares “contras” e as forças armadas do governo sandinista na Nicarágua, em 1983, e os efeitos que o conflito trouxe às famílias.

“Eu me pergunto por quê na Nicarágua não existiu uma Comissão da Verdade” como em outros países da América Latina, que esclarecesse os horrores daquela guerra, perguntou-se Moncada. Por não se confrontar com a verdade, tampouco se buscou a reconciliação na Nicarágua, concluiu.

“A música rebelde da América Latina” é outro filme que será mostrado em Nüremberg. O filme apresenta, entre outros, o músico Chico César, do Brasil, que descreve o problema dos sem-terra no país. Também são enfocados os piqueteiros argentinos e músicos colombianos, que, com sua arte, desempenham um papel de resistência diante da violência e da opressão.

A migração ilegal para a Europa virá enfocada em “Paralelo 36”, do diretor espanhol Luis Tirado. O filme retrata um mundo absurdo, no qual milhares de turistas milionários viajam em férias, enquanto outras milhares de pessoas morrem na tentativa de cruzar o oceano partindo da África. O filme é um chamado à reflexão a respeito das políticas migratórias da União Européia.