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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Israel Batista, secretário geral do CLAI [Foto: CLAI]
Israel Batista, secretário geral do CLAI [Foto: CLAI]

CLAI e CELAM entabulam diálogo

BUENOS AIRES, Argentina, Setembro 19, 2005

Líderes da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM) e do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) reuniram-se nesta Taxi Heathrow Airport capital depois de um "período de espera, mas com realismo e transparência e sob um rico espírito fraternal", afirmou Israel Batista, secretário geral do organismo ecumênico continental.

O diálogo ocorreu durante a reunião da Mesa Executiva do CLAI, reunida em Buenos Aires no dia 7 de setembro, com a participação do bispo Oneres Marchiori e do presbítero José Mauricio Vélez, presidente e secretário executivo, respectivamente, do Departamento de Comunhão Eclesial e Diálogo do CELAM.

Ainda que existam dificuldades e polarizações entre protestantes e católicos da região, torna-se necessário assumir essa realidade com agendas claras, não ignorando os temas espinhosos e crescendo no respeito mútuo, anotou Batista. O secretário geral do CLAI reconheceu que "o diálogo faz muita falta", pois em certas ocasiões fica a impressão de que “desconhecemo-nos mutuamente".

O CLAI impulsionou, no ano passado, por meio do pastor pentecostal Norberto Saracco, pesquisa sobre o diálogo católico-pentecostal em nível mundial. O estudo, que será publicado nos próximos meses, adentra na história do diálogo produzido principalmente nos países do hemisfério Norte.

O pastor Saracco disse que esse processo foi totalmente alheio às igrejas pentecostais da América Latina, pois nos diálogos entre católicos e protestantes registrados no mundo "estiveram ausentes os dois grandes protagonistas da nossa região: a Igreja Católica e as pentecostais".

O trabalho de Saracco aborda a história desses diálogos em nível mundial, descobrindo facetas ignoradas de como essas conversações foram desenvolvidas.

O ponto forte dos diálogos, segundo Saracco, foi abrir portas de caminhos não percorridos, ainda que às vezes significassem sacrifícios pessoais por causa de interpretações errôneas de setores importantes das próprias igrejas pentecostais.

O ponto frágil é que foi um diálogo pessoal e não institucional; não se pode dizer que as igrejas pentecostais como tais participaram das reuniões.

Saracco augurou que o diálogo entre as duas comunidades religiosas venha a significar uma nova agenda ecumênica para o futuro. Ele advertiu, no entanto, que pode se tratar de um caminho muito difícil, "mas que constitui um desafio que não se pode ignorar".

A conversação do CLAI com o CELAM, segundo Batista, serviu para afirmar as experiências de diálogo que existiram entre as igrejas Católica e principalmente as protestantes. Esse diálogo tem uma história muito bonita, que arranca com a ênfase ecumênica sobre temas de justiça, a luta pelos direitos humanos, passando por encontros espontâneos em nível local, até nos últimos tempos, a aproximação a partir de experiências carismáticas e de renovação.

O líder do CLAI disse que nos últimos tempos as igrejas Católica e evangélicas têm aproximado suas posições em temas éticos sobre a vida e a ciência. "Para alguns, nos próximos anos essa aproximação imprimirá uma nova orientação ao diálogo católico com as igrejas evangélicas e protestantes", indicou.

Na reunião foram traçadas linhas de trabalho conjunto nos temas de bioética, cultura da paz, ética e discipulado. Também foi proposto que se intensifiquem as comunicações e que seja compartilhada uma base de dados de especialistas que possibilitem a participação em distintas áreas de formação e de incidência pública nos dois organismos.