Voltar ao início

Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Teólogas anglicanas pedem igualdade de condições

Micael Vier B., PORTO ALEGRE, Brasil, Setembro 16, 2005

Teólogas, clérigas e leigas comemoraram os 20 anos de ordenação feminina na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) fazendo um chamado de respeito às diferenças e para que o sacerdócio feminino seja acolhido em igualdade de condições nas comunidades.

A conclamação consta em carta aberta que o Encontro de Mulheres Ordenadas (EMO) dirigiu à IEAB. A cidade gaúcha de Itaara, no centro do Estado e a 350 Km de Porto Alegre, sediou o encontro, dias 8 a 11 de setembro.

Em entrevista à ALC a reverenda Marinês Rosa dos Santos Bassotto, deã do templo da Santíssima Trindade, em Porto Alegre, disse que, embora as mulheres representem 30% do clero nacional anglicano, ainda há preconceito em relação ao sacerdócio feminino. “Eu não sinto preconceito no meu ministério, mas há colegas que sentem”, anotou.

As mulheres sempre precisam provar que são capazes, enquanto que para os homens isso é pacífico e tranqüilo, acrescentou a pastora.

Compartilhando posição semelhante, a reverenda secretária do bispado da Diocese de Santa Maria, Magda Guedes Pereira, disse que o preconceito ao sacerdócio feminino “não é generalizado”. Mas ao escolherem clérigos para uma paróquia, geralmente são propostos mais nomes de homens, relatou.

Segundo Magda, já aconteceu que casal de reverendos assumiu um ministério, ele ganhando salário superior ao da companheira. O Encontro de Mulheres Ordenadas representou mais um passo importante na luta por igualdade de oportunidades no ministério, frisou.

Para a secretária geral da IEAB, Cristina Winnischofer, o preconceito em torno do sacerdócio feminino tende a diminuir na medida em que as pessoas ampliarem o contato com as mulheres e o seu trabalho nas paróquias, seminários e centros de estudo.

Dentre as recomendações propostas à IEAB, retiradas do encontro de Itaara, consta a aplicação de uma política salarial nas dioceses que “contemple com justiça e igualdade o exercício do ministério feminino, tornando os salários dignos e nos mesmos níveis que são pagos aos homens que exercem igual função”. A carta também pede que sejam respeitados os direitos trabalhistas e de previdência complementar.

A formação teológica foi outro tópico abordado pelo documento, que reivindica um currículo voltado às questões de gênero, bem como o acréscimo da disciplina de Teologia Feminista nos seminário e centros de estudos teológicos diocesanos.

A agenda do Encontro de Mulheres Ordenadas incluiu trabalho com o corpo, oração, estudos, palestras e partilha de testemunhos. A celebração eucarística foi presidida pela reverenda deã Carmem Etel Gomes, primeira mulher ordenada na IEAB, que fez uma revisão da ordenação feminina na Comunhão Anglicana.

A IEAB tem dois seminários nacionais, em Porto Alegre e Recife, e sete centros de estudos, situados em Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Atualmente, 13 mulheres estudam em seminários anglicanos. A membresia da IEAB, segundo estimativas do último senso, é de 120 mil fiéis.