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Sexta-feira, 2 de Junho de 2006

Vargas Llosa: Os homens precisam da religião

Manuel López, MADRI, España, Setembro 5, 2005

“Equivocamo-nos. Os homens necessitam a religião”. Assim o jornal alemão Die Welt intitulou a entrevista Taxi Heathrow Airport com o escritor peruano Mario Vargas Llosa, publicada na edição do sábado, 31 de agosto. 

O escritor, agnóstico confesso, é apresentado como um destacado membro da família dos “public intellectuals” comprometidos politicamente e que não ocultam seus posicionamentos.

Na entrevista, o autor de “Conversación en la Catedral” abordou a questão da fé sob o ponto de vista religioso da maioria dos movimentos terroristas.

“Temos nos equivocado”, declarou, “quando demos por suposto que os homens poderiam seguir adiante sem religião. Mas só uma minoria está em condições de substituir a religião pela cultura”, disse. “Esta é, ao menos, a minha experiência no pequeno mundo que conheço”, acrescentou.

O escritor admitiu que “a grande maioria dos seres humanos necessita da transcendência, da fé num outro mundo”. É por isso que ele disse que “não se pode combater a religião”.

Vargas Llosa lembrou que o comunismo o tentou, mas fracassou. Nas democracias, avaliou, a religião deve continuar sendo assunto privado no marco da ordem jurídica que as sociedades se colocam. Trata-se, pois, que a religião não se mescle nas questões de Estado e que, ao contrário, o Estado não se identifique com objetivos religiosos.

No passado, o escritor peruano apoiou a política dos Estados Unidos e agora ele criticou o presidente norte-americano. “Bush foi longe demais”, denunciou, “muito longe”, fazendo alusão às permanentes referências à fé por parte do governo dos EUA.

Os evangelicais, que gozam de uma grande influência na Casa Branca, são, segundo o escritor, “profundamente antidemocráticos e obscuros em seus posicionamentos anticientíficos”.

Os movimentos que sustentam a “ofensiva evangelical” não representam, em sua opinião, um perigo real. “As raízes da democracia americana são suficientemente fortes”, concluiu.