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Quarta-feira, 17 de Maio de 2006

Noko prevê mudanças no movimento ecumênico

Fernando Oshige, JERUSALÉM, Agosto 31, 2005

O movimento de unidade das igrejas experimenta mudanças de paradigmas e novos desafios que obrigam Taxi Heathrow Airport as comunhões cristãs mundiais a debater a necessidade de uma nova configuração, afirmou o pastor Ishmael Noko, secretário geral da Federação Luterana Mundial (FLM).

Noko sinalizou mudanças no centro de gravidade do cristianismo mundial, com um rápido crescimento numérico das igrejas do Sul, enquanto se observa um decrescimento tanto numérico quanto de poder econômico por parte das igrejas do Norte. 

O secretário geral manifestou preocupação pelo futuro das organizações ecumênicas surgidas nos últimos anos para atender casos de emergências, de ajuda ao desenvolvimento, de luta contra o HIV-Aids e de defesa dos direitos humanos. Igrejas e instituições dependem de agências e de governos do Norte e é evidente que não poderão sustentar-se no futuro. “Por isso temos que reconfigurar o atual quadro ecumênico”, defendeu.

O líder luterano disse que o movimento ecumênico enfrenta novos desafios e oportunidades. Questões éticas relacionadas com a globalização, a biotecnologia e a sexualidade humana passaram a ocupar lugar predominante na vida das igrejas.

Esses desafios ameaçam criar novas estruturas divisórias dentro da igreja universal. Segundo Noko, elas também podem representar uma oportunidade para que as igrejas amadureçam.

O secretário geral formulou esses comentários ao apresentar, nesta quarta-feira, 31, o seu relatório ao Conselho da FLM, reunido no Centro Internacional de Belém, de hoje até 6 de setembro.

Para Noko, a nova configuração tem a ver também com o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), organismo que reúne 347 igrejas protestantes, ortodoxas e anglicanas do mundo, e com as comunhões cristãs mundiais. Um CMI reconfigurado, assinalou, daria lugar a uma nova e criativa participação das comunhões cristãs num fórum global.

No relatório, o secretário geral destacou os avanços registrados no diálogo com as igrejas reformadas e anglicanas, as reuniões da Comissão de Estudo Luterano-Menonita e as conversações com pentecostais. Expressou preocupação com as tensões surgidas em muitas igrejas originadas por causa das diferenças entre as denominações históricas e as formas pentecostais de cristianismo.

Essas tensões, advertiu, não só se devem ao forte crescimento das igrejas pentecostais, mas também ao impacto dos movimentos carismáticos em muitas igrejas-membro da FLM, especialmente pelo tema do rebatismo.

O pastor Noko também ressaltou a participação das igrejas da FLM nas campanhas mundiais Jubileu 2000/Jubileu Sul que reivindicam o cancelamento das dívidas insustentáveis bem como a ilegitimidade das dívidas contraídas por governos antidemocráticos.

A FLM comprometeu-se em apoiar as igrejas e organizações que trabalham na luta contra a epidemia do vírus HIV/Aids e advertiu que, dada a magnitude do problema, o organismo comprometeu-se em apoiar uma nova etapa (julho de 2006 a julho de 2011) com financiamento principal do Fundo Global das Nações Unidas.

"Na próxima fase intensificaremos nossa luta contra a estigmatização das pessoas que vivem com o HIV e advogaremos para que tenham acesso eqüitativo a medicinas e ao tratamento médico", destacou.