Conselho da FLM afasta bispo Obare de assessoria teológica
Fernando Oshige, JERUSALÉM, Setembro 2, 2005
O Conselho da Federação Luterana Mundial (FLM) afastou o bispo africano Walter Obare Omwanza da Taxi Heathrow Airport equipe de assessores por considerar "não-apropriada" a interferência dele numa igreja membro depois de ter consagrado como bispo a um pastor da igreja sueca.
"Essa interferência tem conseqüências negativas para a unidade da FLM e é inconsistente com o papel que o bispo Obare cumpre como assessor do Conselho", diz o pronunciamento divulgado pelo presidente do organismo internacional, Mark Hanson, na tarde de ontem, ao término de sessão fechada.
Em fevereiro passado, o bispo Obare, da Igreja Evangélica Luterana do Quênia, consagrou, em Gotemburgo, o reverendo Arne Olsson como bispo, sem o respaldo das autoridades da igreja sueca (Luterana), desobedecendo as recomendações de bispos e presidentes de igrejas luteranas da África.
Olsson lidera uma corrente conservadora da igreja sueca. Por causa da sua afinidade ideológica e teológica com Obare, Olsson pediu ao bispo africano que presidisse a cerimônia de sua consagração.
A demissão de Obare, que era assessor do Comitê de Teologia e Estudos, foi recomendada pelo Comitê Executivo da FLM, reunido em Genebra dias depois da consagração de Olsson.
Obare disse que não está preocupado com o afastamento e atribuiu a decisão ao poder exercido pelas igrejas do hemisfério Norte. "Elas, sim, exercem interferência através da teologia liberal, promovendo a ordenação de mulheres ou apoiando as igrejas pobres que concordam com a implantação da agenda liberal", afirmou.
A decisão do Conselho, disse o bispo Hanson, não afeta a relação com a Igreja Luterana do Quênia. Trata-se de assunto interno entre o bispo Obare e o Conselho, já que a interferência dele nas questões da igreja sueca desqualificou-o como assessor.
Hanson e o secretário geral da FLM, Ishmael Noko, reuniram-se em particular com o bispo Obare para comunicar-lhe a decisão do Conselho, porém convidaram-no a permanecer na reunião como visitante.
O bispo da Igreja Luterana da Namíbia, Zephania Kameeta, disse que a consagração de Olsson causou divisão e dor na igreja da Suécia em particular, mas também a toda a Federação Luterana. "Por isso apoiamos com dor a decisão do Conselho", afirmou.
O arcebispo da Igreja Luterana da Nigéria, Nemuel Babba, assinalou que a denominação que preside ordenou mais de 20 mulheres ao ministério. "Não estou feliz com o argumento (de Obare) centrado na ordenação de mulheres", comentou.
"A questão da ordenação de mulheres me afetou porque estamos lutando muito para inclui-las na liderança das igrejas", assinalou Doris Kitutu, da Igreja Luterana da Tanzânia.

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