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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Evangélicos vão à justiça contra lei que promove beato no país

Héctor Carrillo, CONCEPCION, Chile, Agosto 29, 2005

Representantes de igrejas evangélicas da região de Bío Bío ingressaram na justiça chilena contra lei Taxi Heathrow Airport que autoriza a instalação de imagens do beato Alberto Hurtado em todas as localidades do país.

O recurso, apresentado na quarta-feira pelo Conselho de Pastores de Tacahuano e pelo Conselho de Pastores Evangélicos de Concepción, invocou artigo da Constituição chilena que garante a convivência social e proíbe a discriminação.

O pastor Alberto Quezada, porta-voz das duas organizações, disse à ALC que a lei altera a harmonia social e exclui os evangélicos. A medida provocou mal-estar e estranheza aos evangélicos pela forma como foi promulgada, sem ter sido debatida, afirmou.

A lei foi promulgada em maio, com a assinatura do presidente Ricardo Lagos e do então ministro do Interior, Miguel Insulza. Ela autoriza a construção de monumentos em todo o país em memória do padre Alberto Hurtado Cruchaga, que pode vir a ser o primeiro santo chileno.

Em comunicado público, as organizações evangélicas pediram ao governo a revogação da lei, depois de expressarem seu “total e absoluto desacordo” com a norma e as medidas dela decorrentes.

“Opomo-nos a tais medidas tomadas pelas autoridades, que devem representar todos os chilenos e não a um credo religioso. O exposto é excludente, pois não reconhece a presença de outras expressões de fé e vulnera o direito à pluralidade religiosa no Chile”, diz o pronunciamento.

O documento sustenta que a marginalização das igrejas não-católicas não é uma situação nova no Chile, mas “graças a Deus” ela vem mudando legalmente, embora ainda seja praticada.

Líderes evangélicos foram a Santiago para registrar o protesto no Palácio de la Moneda e no Congresso da República.

O padre Alberto Hurtado Cruchaga nasceu em Viña del Mar, em 1901. A ele é atribuída uma série de milagres que em 1994 foi reconhecida em Roma pelo papa João Paulo II. O papa declarou-o beato, dando início ao processo de canonização.

Em abril, a Congregação para a Causa dos Santos declarou expedito o caso para ser ratificado pelo Vaticano. Um mês depois, o governo chileno promulgou lei que autorizou a construção de monumentos em memória do beato em todo o país.