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Oneide Bobsin, SAO LEOPOLDO, Brasil, Agosto 23, 2005
Quando Max Weber caracterizou a afinidade eletiva entre capitalismo e protestantismo, ele foi muito criterioso Taxi Heathrow Airport em distinguir os diversos ramos históricos do mundo protestante, atribuindo ao calvinismo impulsos capitalistas.
Além dessa, outra ressalva importante deve ser feita quando se interpreta a obra de Max Weber. Refiro-me à construção do “tipo ideal” de protestantes, cujo objetivo foi facilitar a sua análise. Quem não observa esse aspecto pode fazer pergunta tipo: Será que Weber entendeu bem Calvino, Lutero ou Wesley? Para Weber, essa não era a questão principal, porque o “tipo ideal” consistia em acentuar unilateralmente um ou vários pontos de vista de um fenômeno, a fim de formar um quadro de pensamento homogêneo, como disse um de seus intérpretes.
Em outras palavras, o luteranismo, o calvinismo, o pietismo ou metodismo construídos por Weber não são encontrados na realidade. Contudo, suas construções ideais ajudam a entender os diversos ramos históricos do protestantismo. Se fôssemos caracterizar o que nós denominamos de luterano, calvinista, pietista de fato, não encontraríamos tais pessoas em carne e osso. Portanto, os tipos ideais de protestantes ajudam a entender as atitudes práticas dos mais diversos ramos do protestantismo.
Nessa linha de raciocínio, podemos dar destaque ao tipo ideal de protestante que tem afinidade com o capitalismo do século XVI, o calvinismo. Weber apresenta as máximas de Benjamim Franklin como tipo ideal: Tempo é dinheiro, crédito é dinheiro, o dinheiro é procriador e fértil, um bom pagador é senhor da bolsa alheia, o devedor não pode se esquecer das suas dívidas. Logo, todas essas advertências têm um sentido utilitário. Por exemplo, a honestidade é útil porque traz crédito. É evidente que Weber estava se referindo ao capitalismo e culturas americanas, que tanto influenciam a nossa América Latina.
Logo, o “espírito do capitalismo”, concretizado na ética protestante de Benjamim Franklin, encontrou aliados no tipo ideal do calvinismo e resistências, por exemplo, na tradição luterana. O luteranismo, para Weber, era muito tradicional. Estava mais perto do catolicismo que do calvinismo. Weber usa um ditado para falar dos luteranos que se albergam na graça de Deus: “vivem da mão para a boca”. Em outras palavras, dos luteranos não vêm impulsos racionais pró-capitalista. Sob a graça divina, diariamente podem pedir perdão e reconquistar um lugar diante de Deus, ao passo que o calvinista precisaria comprovar no labor cotidiano a sua condição de abençoado.
Por sua vez, pietistas, batistas e metodistas estariam mais próximos do modelo ideal do calvinismo de Genebra do século XVI do que os luteranos. Mas também aqueles já se distanciaram em parte do tipo ideal.
Com essas ressalvas, portanto, podemos corrigir o senso comum que vincula o surgimento do capitalismo aos diversos ramos protestantes. Por essa razão, o mais correto seria falar em ética calvinista e o espírito do capitalismo.
Hoje, contudo, o espírito do capitalismo não precisa mais da poupança e do ascetismo intramundano. O prazer do consumo toma o lugar da poupança; o hedonismo desbanca a austeridade; o trabalho perde espaço para a magia e especulação financeira. Enfim, o capitalismo contemporâneo divorciou definitivamente a ética protestante e o espírito do capitalismo.
Cabe, no entanto, uma nova pergunta: A “teologia da prosperidade” seria a edição neoliberal da ética protestante de nosso tempo? Eis o próximo assunto!
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Oneide Bobsin. Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e professor de Ciências das Religiões na Escola Superior de Teologia de São Leopoldo/RS/Brasil.

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