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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Pastores pela Paz protesta contra confisco

CIDADE DO MÉXICO, México, Agosto 12, 2005

A organização humanitária Pastores pela Paz, que anualmente leva doações a Cuba numa caravana que percorre várias cidades dos Estados Unidos e do Canadá, anunciou que vai iniciar o caminho de regresso da Ilha com protestos em todos os povoados em que passará. O protesto deve-se à apreensão de equipamentos pelas autoridades do governo norte-americanas.

A rota incluiu a residência de verão da Casa Branca, localizada em Crawford, Texas, onde os líderes religiosos planejam se instalar e fazer escutar seu protesto, que continua por outras cidades até chegar em Washington DC. Na capital, Pastores pela Paz pretendem permanecer "todo o tempo necessário" até que consigam que a ajuda chegue a Cuba.

"Estamos anunciando uma nova fase em nossa estratégia com a intenção de conseguir que devolvam a ajuda humanitária que nos foi confiscada", diz um comunicado da organização, divulgado na terça-feira.

Pastores pela Paz é um projeto da Fundação Inter-religiosa para a Organização Comunitária (IFCO), uma agência ecumênica fundada em 1967 com o propósito de lutar pela justiça racial, social e econômica.

Um lote de equipamento de computação doado por organizações religiosas do Canadá, destinado a uma rede hospitalar de Cuba, foi confiscado no último dia 21 de julho na fronteira com o México por determinação do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

A Caravana de Pastores pela Paz manterá um grupo no estado mexicano de Hidalgo, onde simpatizantes locais e dos Estados Unidos levarão a cabo vigílias todas as quartas-feiras na Ponte Internacional de Hidalgo/Reynosa.

O restante da caravana partirá para o Texas e continuará um intenso trabalho, visitando muitas das cidades que serviram de albergue em seu caminho de ida a Cuba, com a intenção de buscar apoio e elaborar material educativo que explique a política e os procedimentos dos Estados Unidos frente a Cuba.

"Estamos acrescentando um novo ingrediente e levaremos nossos protestos a outros lugares enquanto viajarmos pela estrada, visitando diferentes cidades dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que seguiremos construindo um maior apoio à nossa campanha", sublinha o boletim.

A organização, que reúne numerosas agrupamentos religiosos dos Estados Unidos e do Canadá, assinalou que em seu percurso pela estrada conquistaram muitas amizades de igrejas e grupos comunitários, além de grande cobertura da imprensa.

Apesar de todo o apoio popular, a organização considera improvável que  os Estados Unidos devolvam os equipamentos. "Informaram-nos que as ordens foram dadas de um nível muito alto do governo, tão alto como a Casa Branca. Por isso, uma de nossas paradas, uma vez que estivermos na estrada, será levar nossos protestos ao rancho de Bush", indicou um porta-voz da organização pacifista.

A organização religiosa destaca que o governo dos Estados Unidos mostra-se indiferente diante do caso, mas manifesta esperança de que o povo norte-americano não perca o interesse. "Nós nos encarregaremos de manter esse assunto muito vivo. Sabemos que os que detêm o poder nunca cedem, mas vamos dar-lhes uma boa luta", assinalam.

Em 1996, durante a Sexta Caravana de Pastores pela Paz, os Estados Unidos também confiscaram cerca de 400 computadores. A resposta da organização foi o lançamento de uma campanha internacional de protesto denominada "Um jejum pela vida", que durou 94 dias, conseguindo finalmente com que as máquinas fossem enviadas a Cuba.