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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Pastores estão preparados para intervir na política?

BUENOS AIRES, Argentina, Agosto 12, 2005

O crescimento das igrejas cristãs não-católicas na Argentina estaria animando seus líderes a considerar uma Taxi Heathrow Airport participação direta na política. Segundo artigo divulgado pelo diário La Nación, existem alguns indícios do ressurgimento dessa tendência.

Os dados recolhidos pelo jornalista Sergio Sotelo indicam que, embora os números do aumento das igrejas cristãs nem sempre coincidem, existem cerca de 3 mil igrejas no país, grande parte delas evangélicas, segundo a Secretaria de Culto da Nação.

Outras fontes calculam que no país existam pelo menos 7 milhões de pessoas que freqüentam as igrejas evangélicas, cerca de 20% da população total, registrando-se uma mudança que quadruplicou sua membresia nos últimos 20 anos.

O ocorrido na Argentina não escapa das tendências similares registradas em outros países latino-americanos, segundo Norberto Saracco, autor de tese de doutorado sobre a história do pentecostalismo.

Saracco sustenta que o crescimento dos evangélicos vêm desde os anos 50 aos 70 do século passado, pelas “crises do populismo” e a catalização da energia, que antes absorvia a política, por parte de grupos religiosos, especialmente nos setores mais pobres, que encontram um novo sentido para a vida.

É possível pensar no voto evangélico como caudal de um movimento que chega a influir na política argentina? - pergunta-se o articulista. Saracco assinala que a tentativa mais visível e "ruidosa" foi protagonizada pelo Movimento Cristão Independente, com magros resultados nas eleições para a Constituinte de 1994.

O ex-presidente do Conselho Pastoral de Santa Fé, José Faienza, que foi candidato nas últimas eleições municipais dessa cidade, afirmou que "ninguém acende uma luz para colocá-la debaixo de uma mesa", depois que durante muitos anos foi um grande opositor à intervenção dos pastores na política.

"Deus nos pede que façamos um chamado para construir uma vida mais justa para todos", diz o pastor de 65 anos, sublinhando que os evangélicos estariam dispostos a dar "uma resposta que os demais não dão".

La Nación refere que existem sinais de mudança na visão dos evangélicos, como a postura de Arturo Hotton, candidato pelo Movimento Recrear à vice-governança de Buenos Aires nas últimas eleições e presidente da Fundação Promesa. Hotton anota que os crentes têm uma "consciência majoritária” da necessidade de envolver-se partidariamente.

A legitimidade alcançada pela igreja evangélica no terreno social é outro dos indícios de seu crescimento. Segundo Pedro Antonín, ex-diretor de Cáritas Argentina, as igrejas evangélicas são consideradas atualmente como “o segundo ator social”, depois do organismo católico de ajuda social.

Outro sinal destacado pelo analista é o processo de integração que vem ocorrendo entre as igrejas evangélicas nos últimos dez anos, demonstrado pela participação conjunta, pela primeira vez, de suas três federações no Conselho Nacional Cristão Evangélico (CNCE).

Segundo o diretor do Centro Ecumênico de Assessoria e Serviço (CREAS), Humberto Shikiya, graças a essa integração os evangélicos conquistaram um "benefício de legitimidade".

Legitimidade reforçada por seu compromisso social, profético e evangélico nos setores mais empobrecidos depois da crise institucional-financeira ocorrida no final de 2001. Ao mesmo tempo, pela promoção de uma cidadania esperançosa como fruto de sua profunda fé e espiritualidade, comenta Shikiya.

Neste ponto, destaca o jornalista Sotelo, resulta iluminador recordar a análise de Fortunato Mallimacci sobre a transcendência desta irrupção de movimentos religiosos de novo cunho, como o evangélico.

O diferente hoje, destaca o sociólogo da religião da Universidade de Buenos Aires (UBA), é que o espaço do popular não está controlado por grupos políticos partidários, mas que os grupos religiosos gozam de uma legitimidade tal que são consultados pelos governantes para pedir-lhes sua opinião sobre os planos sociais, culturais e de emprego que decidem implantar.