Sexofobia não tem correspondente em textos bíblicos, diz pastora
BUENOS AIRES, Argentina, Agosto 11, 2005
O prazer sexual não tem nada de mal nem de perverso. No entanto, partindo de Taxi Heathrow Airport velhas tradições culturais que não correspondem aos textos bíblicos, existe uma oposição religiosa que o estigmatiza, sustentou Margarita Lais Tourn, pastora da Igreja Valdense do Rio da Prata.
A sexofobia responde a um sistema de exclusão que perdura nos tempos atuais em diversos conceitos, como, dizer que o ato sexual é pecaminoso, que a mulher induz ao pecado, que a virgindade é sinônimo de bondade e, inclusive, de restringir o sacerdócio aos homens, arrolou a pastora.
Lais Tourn assegurou que essa cosmovisão não tem sustentação nos textos bíblicos. O Antigo Testamento aceita a vida material e sensual sem ver nada de mal em gozar todas as alegrias de forma sadia. Ele celebra o erotismo e o amor sexual.
A pastora valdense questionou o fato de que a salvação tenha se limitado ao espiritual, "como se a proposta de Jesus não tivesse sido integral, alcançando os corpos, as mentes, as almas, ou seja, todo o ser humano. Há muitos relatos bíblicos que restabelecem, como parte do plano salvífico de Jesus, a saúde do corpo físico, e também restabelece a integração de pessoas excluídas ao corpo social", disse.
"Vocês foram chamados à liberdade", disse a pastora para mais de 350 participantes do Colóquio Interdisciplinar "Educação, sexualidade e relações de gênero", desenvolvido de 4 a 6 de agosto na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires.
A pastora foi uma das palestrantes do evento. "O enfoque cristão para abordar o tema da educação sexual deve ter como pontos centrais a cosmovisão positiva e os conceitos de indivisibilidade de corpo e alma, assim como os de liberdade e responsabilidade cristã", apontou.
Lais Tourn é a encarregada pela pastoral da juventude da Igreja Valdense, tanto na Argentina como no Uruguai. Ela é especialista em temas de gênero e coordena o Fórum de Mulheres do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) na Argentina.
Na palestra, a pastora disse que para muitos cristãos fica difícil associar crença com liberdade porque suas experiências com a moral cristãs vieram acompanhadas "por repressão de uma doutrina legalista e autoritária".
Ela advertiu que Jesus não deixou uma lista de preceitos do que é permitido e proibido. "Não posso, então, no campo da ética deduzir da Bíblia uma moral prescritiva", frisou. "É um exercício muito mais complexo e fecundo o que o cristianismo nos convida a fazer hoje", agregou.
Ocupar-se da sexualidade humana significa afrontar um problema central da vida. "Não é uma questão marginal, mas constitutiva de nosso ser", afirmou. A pastora advertiu que o discurso sobre sexualidade tampouco é "uno e imutável, mas que está sujeito a mudanças".
A pastora disse que a tradição protestante considera a sexualidade na dimensão de liberdade-responsabilidade de cada crente e que ditar precisões "a qualquer custo" sobre um terreno tão discutível como a sexualidade humana "é avassalar as consciências".
"Mais do que regras, o necessário é caminhar por caminhos justos, que não dêem lugar a imposições e exclusões. Essa busca em liberdade deve manter nossa capacidade crítica em meio a nossa sociedade individualista, violenta, consumista, patriarcal, que desvirtua o ser humano e, portanto, a sexualidade", sustentou.

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