
Movimento Negro Evangélico aplaude criação de novo ministério
SÂO PAULO, Brasil, Agosto 9, 2005
A 3a. Região Eclesiástica da Igreja Metodista do Brasil criou o Ministério de Ações Afirmativas Taxi Heathrow Airport para Afrodescendentes. O novo ministério foi instalado na sexta-feira, 5, em celebração presidida pelo bispo Adriel de Souza Maia na Igreja da Vila Mariana, na capital.
A medida foi aplaudida pelo Movimento Negro Evangélico (MNE) como “um grande passo para que outras reivindicações venham a surgir”. Como igreja, “não estamos percebendo a riqueza da cultura africana”, definiu o bispo Souza Maia, da 3a. Região Eclesiástica, que abrange a capital de São Paulo, a região do ABC, o litoral paulista, o Vale do Paraíba e a Região de Sorocaba.
O Ministério recém criado pela 3a. Região Eclesiástica pretende desenvolver trabalho de conscientização e inclusão social através de encontros sistemáticos, destacar a presença do negro na igreja e nas celebrações oficiais. “Outro enfoque estará na mulher, que já é historicamente discriminada na sociedade e que, por ser negra, é ainda mais discriminada”, completou Souza Maia.
O bispo metodista e presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) definiu a criação do novo ministério como um projeto de “luta pela vida e inclusão social”, e defendeu maior participação de negros nos cargos representativos da igreja. A Igreja Metodista é a única dentre as denominações evangélicas brasileiras a ter uma pastoral de combate ao racismo.
A criação do Ministério de Ações Afirmativas para Afrodescendentes foi definida pelo MNE como uma “referência positiva para que outras igrejas possam vivenciar essa situação de acerto de contas com a história”. O racismo “marca negativamente as nossas igrejas”, avalia.
O Movimento tem uma pauta de reivindicações que vai além da criação de ministérios e de pastorais de combate ao racismo. Ele pede a inclusão da disciplina de história africana, afrobrasileira, e uma hermenêutica teológica negra no currículo dos seminários teológicos; maior espaço nos cargos de liderança das igrejas; política de cotas para negros nos seminários e universidades pertencentes às igrejas; e combate à intolerância em relação à religiosidade de matriz africana.

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