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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Adriel de Souza Maia, bispo metodista promover ministério para afrodescendentes.
Adriel de Souza Maia, bispo metodista promover ministério para afrodescendentes.

Movimento Negro Evangélico aplaude criação de novo ministério

SÂO PAULO, Brasil, Agosto 9, 2005

A 3a. Região Eclesiástica da Igreja Metodista do Brasil criou o Ministério de Ações Afirmativas Taxi Heathrow Airport para Afrodescendentes. O novo ministério foi instalado na sexta-feira, 5, em celebração presidida pelo bispo Adriel de Souza Maia na Igreja da Vila Mariana, na capital.

A medida foi aplaudida pelo Movimento Negro Evangélico (MNE) como “um grande passo para que outras reivindicações venham a surgir”. Como igreja, “não estamos percebendo a riqueza da cultura africana”, definiu o bispo Souza Maia, da 3a. Região Eclesiástica, que abrange a capital de São Paulo, a região do ABC, o litoral paulista, o Vale do Paraíba e a Região de Sorocaba.

O Ministério recém criado pela 3a. Região Eclesiástica pretende desenvolver trabalho de conscientização e inclusão social através de encontros sistemáticos, destacar a presença do negro na igreja e nas celebrações oficiais. “Outro enfoque estará na mulher, que já é historicamente discriminada na sociedade e que, por ser negra, é ainda mais discriminada”, completou Souza Maia.

O bispo metodista e presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) definiu a criação do novo ministério como um projeto de “luta pela vida e inclusão social”, e defendeu maior participação de negros nos cargos representativos da igreja. A Igreja Metodista é a única dentre as denominações evangélicas brasileiras a ter uma pastoral de combate ao racismo.

A criação do Ministério de Ações Afirmativas para Afrodescendentes foi definida pelo MNE como uma “referência positiva para que outras igrejas possam vivenciar essa situação de acerto de contas com a história”. O racismo “marca negativamente as nossas igrejas”, avalia.

O Movimento tem uma pauta de reivindicações que vai além da criação de ministérios e de pastorais de combate ao racismo. Ele pede a inclusão da disciplina de história africana, afrobrasileira, e uma hermenêutica teológica negra no currículo dos seminários teológicos; maior espaço nos cargos de liderança das igrejas; política de cotas para negros nos seminários e universidades pertencentes às igrejas; e combate à intolerância em relação à religiosidade de matriz africana.