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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Mundo vive nova corrida armamentista, diz Kobia

José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Agosto 4, 2005

O secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Samuel Kobia, disse que o mundo Taxi Heathrow Airport se dirige a uma perigosa ladeira. "Estamos vivendo de novo uma corrida armamentista e nuclear", frisou o religioso na conferência que proferiu no Seminário Evangélico de Teologia de Matanzas, a 100 km ao leste de Havana.

Essa é a primeira visita de Kobia ao Caribe desde sua designação como secretário-geral, em 2004. Ele destacou que existem várias evidências da mudança no cenário político mundial, o que, a seu ver, constitui “um desafio para a teologia do século XXI”.

Dentre as mudanças em andamento, ele mencionou as Nações Unidas, que passam por reforma. Existe a preocupação de que o Conselho de Segurança deva ser ampliado, mas não existe compreensão dos instrumentos políticos dos governos, ainda mais agora que há uma só superpotência, os Estados Unidos.

Ainda está para ser visto se a União Européia poderá vir a servir como uma espécie de balanço em relação aos Estados Unidos, e a amplitude do peso crescente da China e da Índia como potências mundiais, citou.

Convidado pela Cátedra Internacional "Mauricio López" do Seminário de Matanzas, o líder ecumênico referiu-se aos novos desafios enfrentados pelo mundo ecumênico neste século, e como esses desafios incidirão nas estratégias do CMI.

Kobia evidenciou a participação cada vez mais significativa do pentecostalismo e também do mundo ortodoxo nas relações intereclesiais, e o possível deslocamento do eixo do cristianismo do hemisfério Norte para o Sul.

O secretário geral do CMI também chamou a atenção para as transformações do mundo ecumênico em decorrência das alianças firmadas entre diferentes igrejas que tratam de compartilhar valores comuns, o novo conceito de espiritualidade, e as atuais tendências teológicas que vêm ganhando espaço, como a ecofeminista ou a teologia negra, junto às formas tradicionais, as quais estão menos concentradas em diferenças doutrinais.

"A outra grande marca deste século é a situação econômica. Ninguém duvida de que a Índia e a China estão surgindo como poderes econômicos e não podemos esquecer que nesses países concentra-se um terço da população mundial, o que também incide no ecumenismo", afirmou.

Para Kobia, a pergunta é como isso vai afetar as relações mundiais, “porque estamos acostumados que os poderes, basicamente, concentrem-se no Norte”. A outra pergunta, frisou, é como o ecumenismo vai enfrentar esses desafios, para aplicar a experiência na prática de uma fé de verdadeiras essências ecumênicas. 

Kobia assinalou que a chamada Teologia da Libertação terá de transitar no atual período para uma teologia da reconstrução e da formação. "Aquilo que interessar as pessoas dentro do seu próprio contexto é o que vai interessar à teologia do século XXI”, anotou.

Por isso, emendou, é que a próxima Assembléia Geral, em Porto Alegre, com o tema “Deus, em tua graça, transforma o mundo”, permitirá realizar um debate franco sobre os novos desafios do presente século e oferecerá novas pautas de como o CMI vai assumir um ecumenismo que responda a essas necessidades.

Kobia e comitiva do CMI partiram, nesta quinta-feira pela manhã, para o Haiti, país onde encerrarão o giro pelo Caribe, no próximo dia 8.