Mulheres sustentam que “outra teologia é possível”
José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Agosto 4, 2005
“Outra teologia é possível e nós, mulheres, a estamos fazendo”, declarou a professora Ofelia Miriam Taxi Heathrow Airport Ortega ao concluir o Encontro de Teólogas do Terceiro Mundo, reunido no Seminário Evangélico de Teologia (SET), em Matanzas.
Teólogas procedentes do Brasil, da Colômbia, da Bolívia, do Chile, do Peru, da Guatemala, do México e de Cuba, mais de 20 no total, reuniram-se nesta semana para debater o tema central de uma Teologia Feminista.
A brasileira Silvia Regina de Lima Silva, coordenadora pela América Latina da Comissão de Mulheres da Associação de Teólogos do Terceiro Mundo, disse que a reunião superou as expectativas, tanto que um dos seus objetivos era perceber se uma Teologia Feminista seria possível no contexto latino e dentro do amplo espectro de outras teologias que às vezes dominam o espaço do pensamento teológico.
A pastora Gisela Pérez, da Igreja Batista de Cuba, argumentou que em princípio essa outra teologia é uma interrogante que ainda não foi possível elaborá-la, “mas ao menos nos permitiu vislumbrá-la como uma possibilidade”.
O encontro, definiu, foi fantástico porque permitiu a abertura de novas rotas de pensamento e espaços para compartilhar experiências. “Digo que outra teologia é possível com uma nova hermenêutica”, disse. O programa do encontro incluiu aspectos teóricos, mas as teólogas também puderam entrar em contato com setores oficiais em Matanzas voltados à mulher.
Segundo a teóloga brasileira Ivone Gebara, que coordenou o temário, o evento possibilitou a abordagem das grandes questões da chamada Teologia Feminista.
“Trabalhamos o tema da epistemologia e da teologia, de maneira que possamos falar de alternativas de conteúdo, de ação e de metodologia para poder, no novo contexto social, repensar um pensamento teológico que responda aos novos momentos”.
Perguntada se essa nova teologia trata de atacar o sentido patriarcal e machista da teologia tradicional, Gebara respondeu que “o homem é necessário, porque a humanidade não é apenas feminina”. Trata-se, prosseguiu, de convidar para que se repense os conceitos teológicos que se recebeu.
“Nós estamos fazendo um reexame de todos os conceitos a partir de uma perspectiva inclusiva, e pensamos que os varões também devem reexaminar esses conceitos para que, juntos e juntas, marchemos pelos caminhos do pensamento que nos sustenta”, afirmou.

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