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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Walter Altmann, moderado do CMI, destaca pluralismo religioso na América Latina. [Foto: C. Strüssmann]
Walter Altmann, moderado do CMI, destaca pluralismo religioso na América Latina. [Foto: C. Strüssmann]

Carismáticos podem cindir IECLB

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Julho 18, 2005

Embora não haja qualquer decisão formalizada, o Movimento Carismático deve gerar na Igreja Evangélica de Taxi Heathrow Airport Confissão Luterana no Brasil (IECLB) um “doloroso processo de cisão”, como o define o pastor presidente Walter Altmann em carta pastoral emitida na semana passada.

Questões teológicas estão na base do conflito. Em dezembro de 2004, o pastor presidente redigiu carta na qual rejeitava a prática do rebatismo, que pastores e pastoras ligados ao Movimento Carismático introduziram em congregações luteranas. Em maio passado, Consulta da Presidência da Igreja com o Grupo Assessor de Teologia e Confessionalidade reforçou essa posição.

A diversidade tem limites, “que são ultrapassados precisamente quando de algum modo são atingidos os pilares da confessionalidade luterana e/ou se instala na vida de comunidade um espírito divisionista que é incompatível com a compreensão de Igreja como corpo de Cristo, em que os diferentes membros cooperam para sua edificação”, analisa Altmann.

Para uma igreja luterana, Palavra e Sacramento têm preponderância. “Há um núcleo de unidade confessional, do qual não é possível abrir mão, sem trair a própria confessionalidade luterana, a partir da Escritura”, argumenta o pastor presidente. Ele destaca que o batismo e sua relação com graça e fé têm um especial significado na teologia luterana.

A Carta Pastoral esclarece que a IECLB rejeita a prática do rebatismo, por questões confessionais, mas não as pessoas rebatizadas. A igreja, frisa o pastor presidente, “deve estar disposta e preparada para lidar pastoralmente com toda pessoa que, por motivos de consciência, tenha se submetido ao rebatismo”.

Altmann também reconhece que o Movimento Carismático fez as opções teológicas e pastorais em consonância com suas convicções de fé. “Não cabe, portanto, à IECLB qualquer sentimento de superioridade ou arrogância. Ao contrário, deve prevalecer o respeito e a reflexão”, alega.

Dois pastores e uma pastora vinculados ao Movimento Carismático pediram, recentemente, o desligamento da IECLB. O Movimento também constituiu várias comunidades independentes, fora das estruturas e dos procedimentos na igreja. Ainda assim, a presidência entende que ela, em particular, e a direção da igreja devem continuar perseguindo as possibilidades do diálogo teológico-confessional.

A Carta Pastoral lembra, também, que o movimento carismático não é um fenômeno restrito à IECLB, mas pode ser observado em todo o mundo, praticamente em todas as denominações. “Ele responde, à sua maneira, a necessidades espirituais que as pessoas de nosso tempo sentem ou têm”, admite o pastor presidente.

Altmann entende que o movimento pentecostal-carismático lança desafios às igrejas históricas, como o espaço de ação do Espírito Santo, a ação missionária. Mas, assinala o pastor presidente, a IELCB tem, com sua base bíblico-confessional, importante contribuição a dar ao cenário religioso brasileiro, como a distinção entre lei e evangelho, a justificação por graça e fé, a liberdade cristã, a concepção do cristão como sendo simultaneamente justo e pecador.