
Lula tem a oportunidade de retomar projeto original, dizem organizações
Edelberto Behs, BRASÍLIA, Brasil, Julho 4, 2005
Diante da atual crise política que se abateu sobre o Brasil o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a oportunidade de retomar o projeto pelo qual foi eleito, de transformar o Estado e a sociedade, e que mobilizou a esperança de milhões de brasileiros e brasileiras.
Por isso, a Carta ao Povo Brasileiro, assinada, entre outros, pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o Movimento Evangélico Progressista (MEP), o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MMDH) e por Frei Betto, exigem uma completa e rigorosa investigação das denúncias de corrupção, a punição dos responsáveis, e pedem mudanças no rumo adotado pelo governo federal.
Ao mesmo tempo, os representantes de organizações populares, de ONGs, do movimento sindical, de movimentos sociais e personalidades, se posicionam contra “qualquer tentativa de desestabilização do governo legitimamente eleito, patrocinada pelos setores conservadores e antidemocráticos”.
A Carta ao Povo Brasileiro conclama todas as forças democráticas e populares para que se mobilizem e realizem manifestações de rua em favor da promoção “das verdadeiras mudanças que o país e o povo precisa”.
As organizações que assinam a Carta entendem que o governo Lula, eleito com a esperança de realizar mudanças na política neoliberal que vinha sendo praticada desde 1990, pouca coisa alterou e realiza “um mandato cheio de contradições”.
Mas essas organizações alertam que as elites, de olho nas eleições de 2006, “iniciaram, através dos meios de comunicação, uma campanha para desmoralizar o governo e o presidente Lula, visando enfraquecê-lo, para derrubá-lo ou obrigá-lo a aprofundar a atual política econômica e as reformas neoliberais, atendendo aos interesses do capital internacional”.
Numa agenda de sete itens, os remetentes da Carta ao Povo Brasileiro pedem a realização de mudanças na política econômica, priorizando as necessidades do povo, e construção de um novo modelo de desenvolvimento; a realização de uma ampla reforma política democrática, que estabeleça a fidelidade partidária; o fortalecimento dos espaços de participação social na administração pública; a prioridade às iniciativas locais em favor da cidadania e da participação e educação popular; o enfrentamento do monopólio dos meios de comunicação, garantindo sua democratização.
Também assinam a Carta, entre outros, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Associação Brasileira de ONGs (ABONG), a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); a Cáritas Brasileira; a Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB; o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS); a Central Única dos Trabalhadores (CUT); o Conselho Nacional de Iyalorixás e Ekedes Negras; a Comissão Pastoral da Terra (CPT); o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE); o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST); a União Nacional dos Estudantes (UNE).

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