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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Consumo desenfreado não dá tempo para natureza se recompor

Edelberto Behs, SÂO PAULO, Brasil, Junho 6, 2005

"Espero que ainda dê tempo". Com essa ponta de otimismo a bióloga Waverli Neuberg, coordenadora Taxi Heathrow Airport da Agência e do Núcleo Ambiental da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), respondeu ao ser indagada a respeito das perspectivas de reversão do estrago ambiental produzido no planeta pelo desenfreado consumismo humano.

O aquecimento global e a crescente escassez de água potável são os problemas ambientais mais angustiantes com os quais a humanidade se depara nos dias de hoje, aponta. No quadro brasileiro, acrescenta ainda o desmatamento. E não sem motivo. Entre agosto de 2003 e agosto de 2004, segundo dados divulgados em maio pelo Ministério do Meio Ambiente, o desmatamento na Amazônia brasileira foi de 26.130 quilômetros quadrados, a segunda maior taxa desde 1995.

A área desmatada é pouco menor que o Estado de Alagoas. No total, 17,3% da cobertura florestal da Amazônia brasileira já foram destruídas. Essa ação tem impacto direto na emissão de gás carbônico e mudanças climáticas. Só as queimadas geram 370 mil toneladas de carbono a cada ano, segundo dados do World Resources Institute.

A organização World Wildlife Fund (WWF) estima que o ritmo de desmatamento no mundo seja de 139.860 quilômetros quadrados por ano. A Rede WWF e o Banco Mundial anunciaram, no dia 25 de maio, em Nova Iorque, programa que tem por meta reduzir o desflorestamento global em 10% até 2010.

A coordenadora do Núcleo Ambiental da UMESP lastima que o Brasil ainda não tenha entendido que florestas, em pé, representam uma riqueza primária enorme. Infelizmente, matas são derrubadas para o plantio de soja, que serve de alimento ao gado confinado de criadores europeus, quando o Brasil poderia estar agregando valor na engorda dos animais.

Quando se fala em desmatamento, alerta Neuberg, o conceito não se limita a florestas, mas também diz respeito à vegetação do cerrado. A cultura da soja invadiu o cerrado no Brasil Central numa rapidez catastrófica, aponta a bióloga.

Mas é no assunto água que o Núcleo Ambiental da UMESP dá a sua maior contribuição ao povo que vive na bacia do Tietê e Tamanduateí, em São Paulo. O Núcleo iniciou a distribuição de cartilha para 300 grupos ecológicos, escolas, associações de bairro no entorno da Represa Billings.

Com a ajuda de Flics, um peixe que fala com pessoas e tem em Fernando um grande amigo, a cartilha mostra os cuidados que humanos precisam ter com a ingestão de água, as doenças que podem estar escondidas em reservatórios de água poluída, como tratá-la e quais são os agentes poluidores.

A cartilha está voltada ao público infantil. "Mas sabemos que adultos também a lêem", conta Neuberg, partindo da experiência da coluna publicada semanalmente no Diário do Grande ABC. "A linguagem que se emprega em textos dirigidos a crianças é clara e simples, também apreciada por adultos", acrescenta.

A cidade de São Paulo, com 9,5 milhões de habitantes, consome 210 milhões de litros de água por hora, o equivalente a 116 piscinas olímpicas. O Rio Tietê recebe a cada dia 1.100 toneladas de esgoto. Segundo a WWF, 70% das internações hospitalares no Brasil são provocadas por doenças transmitidas pela água contaminada, gerando um gasto adicional de 2 bilhões de dólares/ano no sistema de saúde do país.

O desperdício da água é outro ponto preocupante, uma vez que o líquido torna-se a cada dia mais escasso em estado potável. No Brasil, os índices de desperdício chegam a 40% por causa de problemas nas tubulações e ligações clandestinas.

Mesmo que existam poucos motivos para comemorações, Waverli Neuberg entende que o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no domingo, 5 de junho, é uma excelente oportunidade para as pessoas se inteirarem a respeito dos grandes desafios com os quais a humanidade se defronta em questões ambientais. Ela destaca que "todo o mundo é parte da solução. A responsabilidade não cabe a um setor apenas".