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Quinta-feira, 18 de Maio de 2006

Germán Zijlstra, novo presidente do Sínodo das Igrejas Reformadas da Argentina [Foto: CLAI]
Germán Zijlstra, novo presidente do Sínodo das Igrejas Reformadas da Argentina [Foto: CLAI]

Crises são oportunidades para dar testemunho do ressuscitado

Entrevista: Manuel Quintero, BUENOS AIRES, Argentina

MANUEL QUINTERO: Diante de um modelo econômico que é essencialmente excludente, que papel as igrejas Taxi Heathrow Airport de herança reformada podem desempenhar na busca de um modelo alternativo viável?

GERMÁN ZIJLSTRA: Que o modelo de economia global é elemento de exclusão e marginalização não cabe discutir. Pelo menos em nosso sofrido continente, no qual o fosso entre os mais ricos e os mais pobres cresceu escandalosamente nos últimos anos. É impossível ocultar essa realidade em todos os nossos países. Vivo na contradição de habitar um dos países da região (Argentina) mais ricos, enquanto produtor de alimentos, e vejo seus habitantes morrerem - literalmente - de fome ao nosso redor, como se habitássemos num deserto estéril.

Dentro dessa economia de mercado globalizada vivem e dão testemunho nossas comunidades de fé, compartilhando as mesmas lutas, dores e desafios de seus compatriotas. Creio que o papel de nossas igrejas - muitas delas são pequenas - deve ser de acompanhar o sofrimento que a injusta distribuição de recursos produz. Acompanhamento que não fique apenas no lamento da situação, mas que nos impulsione a criar espaços de vida em meio a tanta morte...

Ser um espaço de esperança em meio a desesperança. Espaços que criam consciência sobre as situações que produzem a dor e a sangria do nosso continente. Também espaços de tolerância, na segurança de que o câmbio é possível, que é possível o processo de transformação dessa realidade que o Deus da história, o Senhor da vida abundante para todos e todas, não quer e não suporta mais.

Esses espaços de vida, de acompanhamento, de esperança e de resistência devem ser criados a partir da Palavra, da oração e da ação. Palavra, oração e ação foram a base do trabalho das comunidades cristãs em meio às crises em todos os tempos de sua longa história. A crise sempre é um juízo, mas também oportunidade e desafio de serviço, de proclamação e testemunho do ressuscitado.

Ele não pode ser aprisionado pelo sofrimento e morte. O Senhor da vida e da história também está ao lado, hoje, das pessoas que sofrem e lutam pela recriação de outro mundo possível, um mundo no qual caibamos todos, onde todas e todos tenham lugar para trabalhar, servir e celebrar.

MANUEL QUINTERO: Quais serão as ênfases e os programas mais importantes que Aipral vai desenvolver nos próximos anos?

GERMÁN ZIJLSTRA: Como Aipral, já temos um caminho percorrido, regionalmente. Desenvolvemos e vamos continuar fazendo vários encontros, seminários e consultas sobre o tema fé e economia, como aconteceu recentemente em Buenos Aires, em junho passado. A motivação principal para esses encontros partiu do acordo aprovado na 23a Assembléia Geral da Aliança Mundial Reformada, que se realizou em Debrecen, Hungria, em 1997, de refletir sobre essa problemática dentro de um processo comprometido de reconhecimento, educação, confissão e ação - o que se considera um "processus confessionis", com respeito à injustiça econômica e à destruição da Terra. O papel de Aipral e de outras organizações similares deve tender à busca de consciência e consensos. Se cada comunidade ou cada família confessional der respostas isoladas, o testemunho será fraco. Por isso, estamos unindo nossa proposta a do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), também nessa temática. Conformamos, juntos, um comitê de elaboração de materiais para as igrejas, sobre o tema.

A junta diretiva de Aipral reunir-se-á no mês de setembro em San José, Costa Rica, com o objetivo de definir um planejamento de trabalho para os próximos quatro anos, dando prosseguimento ao que foi traçado na Assembléia Geral, realizada recentemente (em São Paulo).

Um dos pontos fortes será o tema que sempre volta, o da missão das igrejas no contexto e atual conjuntura. Aqui o tema da identidade do protestantismo reformado deverá ser analisado, debatido e avaliado com profundidade, numa perspectiva bíblica, teológica, ecumênica, que nos ajude a desenvolver a missão num contexto de grandes mudanças.

O tema da 24a Assembléia Geral da Aliança Reformada Mundial, a ter lugar em Ghana (2004), proclama "que todos/as tenham plenitude de Vida". Nos próximos dois anos vamos trabalhar e compartilhar o que entendemos e fazemos na prática eclesial, para levantar sinais de vida e esperança em meio a tanta desesperança e morte.

Vamos trabalhar esses e outros temas por áreas ou departamentos. Assim, temos os departamentos de jovens, mulheres, Bíblia e teologia, evangelização e missão, cooperação e testemunho.

MANUEL QUINTERO: Como avalias esse tempo de crise?

GERMÁN ZIJLSTRA: Esse é um tempo em que devemos animar-nos mutuamente, compartilhando a fé e a esperança que nos mobilizam, fortalecendo-nos nos dons e capacidades que o Espírito segue derramando sobre a sua igreja e sobre todo o seu povo.

Estes são tempos de solidariedade e construção de novos paradigmas. Não podemos, e nem devemos, cair num isolamento estéril e individualismo escandaloso. O Senhor nos convida a trabalharmos juntos e juntas por uma América Latina e Caribe, onde cresçam as sementes da unidade, da justiça, da paz, da liberdade, do trabalho, do pão, e onde haja mais vida e oportunidades para todos e todas.

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Germán Zijlstra, é presidente da Igreja Reformada Argentina e  novo secretário geral da Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (AIPRAL).