HIV/Aids deve ser atacado pela sociedade
Micael Vier B., SAO LEOPOLDO, Brasil, Maio 25, 2005
As enfermeiras Petronila Libana Cechim e Lucilda Selli fizeram um apelo para que o HIV/Aids Taxi Heathrow Airport seja encarado de frente e discutido em voz alta pela sociedade.
Segundo as enfermeiras, o silêncio e o medo da aids, vista por muitos como uma questão moral, provocam a disseminação consciente da doença. A aids não deve ser discutida pelo viés da moralidade, mas como uma realidade que precisa ser tratada com urgência, destacaram.
Cechim, que é mestre na área da Saúde da Mulher, e Selli, doutora em Ciências da Saúde Bioética, apresentaram palestra na segunda-feira, 23, sobre "HIV/Aids: fragmentos de sua face oculta", no Encontro de Ética promovido pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).
Petronila e Lucilda disseram que até o ano de 2002 a aids era tida como uma doença restrita a determinados grupos de risco, principalmente homossexuais. Hoje, a disseminação do HIV já é vinculado a comportamentos de risco, e não mais a grupos de risco, o que tornou o vírus passível de ser adquirido por qualquer grupo sexual.
Desde a década de 1980, quando a aids era denominada de "câncer gay", até os dias atuais, quando o contágio de homens e mulheres praticamente se equivale, muita coisa foi descoberta sobre a síndrome da imunodeficiência adquirida, embora a cura ainda pareça distante.
Enquanto os coquetéis anti-HIV prolongaram a vida dos infectados pelo vírus, uma falsa sensação de controle da doença fez com que a aids se alastrasse muito rapidamente pelo mundo. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids), só no ano passado cinco milhões de pessoas contraíram o vírus HIV.
Em pleno século XXI, mais de 40 milhões de pessoas convivem com o vírus. A região da África Subsaariana, que engloba 47 países, cerca de 10% da população mundial, concentra mais de 60% dos casos. O Caribe apresenta o segundo índice mais elevado de soropositivos do mundo, com 2,3% da população infectada, o que representa 550 mil casos.
Entre os países caribenhos, mais da metade dos infectados pelo HIV encontra-se no Haiti. Já Cuba, através de um programa de distribuição gratuita de medicamentos e preservativos, conseguiu com que o número de soropositivos no país ficasse abaixo de 1%.
Na América Latina, 95 mil infectados pela doença morreram no ano passado, enquanto outros 240 mil foram infectados. A região registra um total de 1,7 milhão de soropositivos.
O primeiro caso de aids no Brasil foi registrado em 1982. Atualmente, o país conta com mais de 600 mil infectados, e o número de mortes em decorrência da doença permanece estável desde 1998, com 11 mil vítimas anuais.
Segundo Petronila e Lucilda, o grande obstáculo da ciência em formular uma vacina que combata o HIV é inviabilizado pelo fato do vírus multiplicar-se nas células de defesa do ser humano, apresentando a cada reprodução um novo código genético.
As profissionais da saúde, também professoras da Unisinos, indicaram a Assistência Domiciliar Terapêutica como alternativa à internação hospitalar para pacientes com aids. No entanto, o mais importante no combate à doença, sublinharam, consiste em atacar o preconceito, para que cada um, no próprio seio da família, possa produzir saúde e multiplicar conhecimentos a respeito da doença.

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