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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Mutirão do desarmamento terá continuidade em igrejas

Edelberto Behs, SAO LEOPOLDO, Brasil, Maio 24, 2005

O Mutirão Nacional de Entrega de Armas, organizado pela ONG Viva Rio no sábado, 21, Taxi Heathrow Airport recolheu 700 peças em postos instalados em 215 igrejas, em 102 cidades de 22 Estados da Federação. O resultado é parcial e a estimativa é de que o número final do mutirão ultrapasse as 1 mil armas recolhidas no sábado.

Nos postos de coleta do Rio Grande do Sul foram os únicos no país em que as armas não puderam ser destruídas a marretadas, na frente do doador.  Contrariando instruções do Ministério da Justiça, a Polícia Federal e a Brigada Militar do Estado entenderam que a arma entregue não podia ser destruída, se o doador quisesse receber a indenização simbólica em troca da mesma, relatou a ativista do Serviço de Paz (Serpaz) de São Leopoldo, Marie Krahn.

"Isso desmerece o fato das igrejas participarem do Mutirão. Justamente elas são a garantia de que as armas entregues serão destruídas", declarou Marie Krahn. O Serpaz, informou, está contatando autoridades do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, em Brasília, pois insiste na destruição das armas entregues no Estado no último sábado.

A Assessoria de Comunicação da Polícia Federal alegou que o procedimento nos postos de recolhimento local ficou a cargo da Brigada Militar. Já o setor de comunicação da Brigada Militar remeteu a outro setor da corporação, que não tinha informações a respeito.

Nos demais postos de recolhimento as armas entregues foram destruídas imediatamente pela Polícia Federal, parceira das igrejas e da Viva Rio no Mutirão. Em Brasília, dez pessoas entregaram armas de fogo e munição no posto de recolhimento instalado no templo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana.

Até o pastor aderiu aos apelos do Mutirão. Carlos Möller entregou uma arma de fogo que recebera de herança do pai. "Depois de uma reflexão profunda, decidi entregá-la. Com isso, procuro incentivar, motivar e, em alguns casos, desafiar as pessoas a destruírem as armas que têm", relatou o pastor à repórter Lílian de Macedo, da Agência Brasil.

Em muitas igrejas Brasil afora o Mutirão vai se estender nos sábados até o dia 25 de junho. Termina no dia 28 de junho a anistia que o poder público concedeu aos que entregarem armas e munições, como determina a Medida Provisória 229/04, aprovada pelo Parlamento.

No período da anistia, quem entregar armas não precisa dar qualquer explicação a respeito da origem da mesma e ainda recebe uma indenização de 100 a 300 reais (cerca de 40 a 120 dólares), dependendo do tipo de arma entregue.

Igrejas cristãs querem estender o prazo da anistia. O presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), bispo metodista Adriel de Souza Maia, advoga mais 90 dias para a entrega das armas e para que as igrejas possam trabalhar melhor na conscientização sobre a importância do desarmamento.

"As igrejas têm que dar o exemplo de paz, de solidariedade, numa sociedade marcada pela injustiça e pela violência", disse Souza Maia ao repórter Liésio Pereira, da Agência Brasil de São Paulo.

O Conic e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), parceiros da Viva Rio no Mutirão pelo desarmamento, apóiam o referendo popular do dia 2 de outubro, quando a sociedade brasileira vai dizer se aprova ou desaprova a comercialização de armas no país. "Esse é um passo decisivo na construção da paz", declarou o secretário executivo do Conic, pastor Ervino Schmidt. 

A cada ano, morrem 40 mil pessoas assassinadas no Brasil e são cometidos, em média, 100 crimes por dia. A maior incidência acontece aos domingos à noite, depois do futebol, mostra pesquisa.

Em entrevista à ALC, o coordenador da Área de Religião e Paz da Viva Rio, André Porto, disse que o Mutirão Nacional de Entrega de Armas cria oportunidades e orienta tanto igrejas quanto grupos religiosos a serem atores sociais mais ativos e preparados diante dos desafios atuais.

A partir do segundo semestre deste ano, a Viva Rio quer capacitar padres, pastores e voluntários, através do programa "Balcão de Direito", para que possam trabalhar pelo desarmamento em áreas de grande incidência de criminalidade e a atuarem como "negociadores da paz". O Balcão quer habilitar agentes sociais que trabalham no "front" a mediar conflitos e promover a paz, adiantou Porto.