Sociólogo francês defende economia de produção local
Micael Vier B., SAO LEOPOLDO, Brasil, Maio 19, 2005
Ao viabilizar alternativas para o desenvolvimento sustentável do planeta Terra, o economista, sociólogo e antropólogo Taxi Heathrow Airport francês Serge Latouche propôs o renascimento das economias locais de produção e a recusa à religião do progresso e do crescimento que aflige os países nórdicos.
Segundo Latouche, a sociedade do crescimento não é sustentável nem desejável. Ele esclareceu que desde a Conferência de Estocolmo, em 1972, época em que os problemas ambientais começaram a preocupar a humanidade, todos os índices de degradação do planeta se agravaram consideravelmente.
O professor da Universidade de Paris-Sul argumentou que somente o decrescimento poderia conter a miséria e a destruição do planeta. Por decrescimento compreende-se viver de maneira mais saudável, "com menos bens e mais elos", a fim de amenizar o peso do modo de vida moderno sobre a biosfera.
Ao trazer dados sobre a realidade global, o professor mencionou que se toda a população mundial vivesse segundo os padrões franceses seriam necessários quatro planetas Terra para suprir as demandas de consumo. O Canadá e os Estados Unidos consomem 12 vezes mais do que o restante dos países do globo.
"Estamos consumindo mais do que o planeta pode nos fornecer", alertou.
Latouche destacou que não existe proporcionalidade entre o aumento do Produto Interno Bruto dos países nórdicos e o bem-estar da população. Ao contrário, à medida em que o PIB aumenta, um maior número de pessoas relata que sua felicidade diminui. Após o século XVIII, disse, a vida contemplativa foi eliminada e o ser humano passou a se dedicar exclusivamente ao trabalho.
Seria necessário valorizar as questões afetivas e "reconsiderar outras riquezas além daquelas materiais", completou.
Em relação às disparidades entre o Norte e o Sul, Latouche enfatizou que os países nórdicos têm uma dívida ecológica com o Sul. Essa dívida, disse, não pode ser quitada com o pagamento de milhões de dólares, mas somente através do reconhecimento da dignidade desses países, aliado à construção de uma "sociedade do decrescimento" capaz de preservar o meio ambiente e restituir o mínimo de justiça social.
Latouche foi muito aplaudido na manhã da quarta-feira, 18, pelos participantes do Simpósio Internacional "Terra Habitável: um desafio para a humanidade", promovido pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) ao mencionar o conceito de "relocalização" como fator essencial para o surgimento de uma "sociedade do decrescimento".
Por relocalização entenda-se o renascimento de um modelo econômico local que contemple a diminuição dos custos de transação e valorize as potencialidades econômicas de cada pequena comunidade. "É localmente que vivemos, trabalhamos e comemos", disse.
O professor destacou que há 60 anos o gado que o francês comia provinha dos campos da Normandia, e o iogurte que tomava era feito em casa. Hoje, o iogurte percorre milhares de quilômetros até ser consumido, o gado de abate é alimentado com tortas de soja produzidas no Brasil e o casaco que ele veste é fabricado na Índia. "Precisamos encontrar sentido para a vida local", enfatizou.

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