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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Participaram da conferência mais de 600 pessoas, de mais de 100 países e de diferentes igrejas. [Foto: Peter Williams]
Participaram da conferência mais de 600 pessoas, de mais de 100 países e de diferentes igrejas. [Foto: Peter Williams]

Conferência sobre missão termina sem mensagem final

Manuel Quintero, ATENAS, Grecia, Maio 15, 2005

 O fato de postergarem a adoção de uma mensagem final deixou em suspenso a pergunta Taxi Heathrow Airport em quê os participantes da 13a Conferência Mundial sobre Missão e Evangelização, reunida nesta capital de 9 a 15 de maio, estão e sobre o quê não estão de acordo.

Pela primeira vez na história das conferências, a reunião não aprovou em sua última sessão plenária, reunida à tarde, o documento “Carta de Atenas”, de pouco mais de 1.500 palavras em sua versão em espanhol, elaborada por comissão durante o evento.

Um primeiro rascunho do documento fora submetido à consideração dos participantes, que aportaram mais de 100 comentários individuais ou coletivos, muitos dos quais foram incorporados no segundo e definitivo rascunho.

A “Carta de Atenas”, redigida como um “típico lirismo ecumênico”, segundo qualificação de um crítico, procurava ressaltar os principais pontos de consenso alcançados durante a conferência, sem deter-se em demasia em precisões teológicas.

Mas já desde o início da discussão da carta ficou evidente que o tempo disponível era insuficiente para um debate cuidadoso do texto.

O significado e o simbolismo da cruz de madeira de oliveira presenteada à conferência pelas igrejas de Jerusalém foi, já no primeiro parágrafo do rascunho, um tema controverso.

Para os cristãos palestinos presentes, mais do que um sinal de reconciliação, a cruz representava a violação de seu povo. Mas uma representante ortodoxa replicou que a cruz, como ensinam dois mil anos de tradição, só pode ser símbolo da paixão.

Diante da observação de delegada palestina de mencionar explicitamente no texto que a cruz fora elaborada com fragmentos de oliveiras arrancadas pelo exército israelense, um delegado opôs-se à inclusão de qualquer menção de caráter político na carta.

Em resposta à petição da moderadora da Conferência, a pastora batista inglesa Ruth Bottoms, os participantes indicaram o interesse em discutir todos os parágrafos da carta.

No primeiro parágrafo constava que a história da missão se encontra num novo momento em que, embora seus centros de poder permanecem concentrados no hemisfério Norte, é no Sul onde as igrejas mais crescem, e de forma rápida, como resultado da fidelidade da missão e do testemunho cristão.

O segundo parágrafo falava da tendência das igrejas a reforçarem barreiras de exclusão e marginalização por motivos de raça, sexo, orientação sexual, deficiências, ou tolerando a continuação de estruturas opressivas dentro das próprias igrejas.

Em nota aos jornalistas credenciados para a cobertura da Conferência, o encarregado do setor de imprensa do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Juan Michel, manifestou que “os comentários e sugestões dos delegados serão remetidos à Comissão Mundial sobre Missão e Evangelização, e serão considerados na redação definitiva”. A mensagem final será publicada no mais tardar na próxima sexta-feira, 20 de maio, prometeu.

Mas como “consenso” significa consentimento, acordo e harmonia, compartilhamento da mesma idéia ou opinião, embora não necessariamente haja acordo em cada detalhe, a discussão incompleta do texto torna difícil antecipar até que ponto o documento final vai expressar realmente o acordo dos participantes.

Talvez nem poderia ser de outro modo. Num mundo marcado pela ausência de grandes discursos e verdades universalmente aceitas, inclusive aos cristãos fica difícil colocar-se em acordo acerca de algumas afirmações básicas.

A Carta de Atenas traduz isso, quando afirma que “a missão de Deus está distorcida pelas divisões e a falta de entendimento que persiste entre as igrejas...” Daí se derivou uma conclusão fundamental: “O tema da conferência... tem sido uma exortação para uma aceitação humilde de nossa própria necessidade de cura e reconciliação”.