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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Robert Schreiter, teólogo católico, falou no plenário dedicado ao tema da reconciliação. [Foto: Peter Williams]
Robert Schreiter, teólogo católico, falou no plenário dedicado ao tema da reconciliação. [Foto: Peter Williams]

É Deus quem realiza a reconciliação

Manuel Quintero, ATENAS, Grecia, Maio 15, 2005

Para os cristãos, é Deus quem opera a reconciliação. "Nós somos mero agentes do processo, participando no que Deus está fazendo. Deus é nossa força, Deus é nossa esperança. É Deus quem realiza a obra".

As palavras são do teólogo católico Robert Schreiter, expressas no plenário dedicado ao tema da reconciliação, no penúltimo dia da Conferência Mundial sobre Missão e Evangelização, reunido em Aghios Andreas de 9 a 16 de maio.

Schreiter falou da reconciliação vertical, com Deus; da reconciliação horizontal, entre indivíduos e grupos sociais; e da reconciliação cósmica, que representa a plenitude do plano de Deus para a criação.

Participar na dimensão social da reconciliação é participar na ação curadora de Deus com respeito às sociedades que foram gravemente feridas e descartadas pela opressão, a injustiça, a discriminação, a guerra e a destruição desenfreada, definiu.

"Essa cura começa por se dizer a verdade, a ruptura dos códigos de silêncio que ocultam o pecado contra os membros pobres e vulneráveis da sociedade", enfatizou.

O papel das igrejas na reconciliação social foi apresentado pelo bispo Lunga Lungile Maggwaggwa ka Siboto, da Diocese do Sul da Igreja Episcopal Etíope em Port Elizabeth, África do Sul.

O bispo ka Siboto participou no segundo grupo de sul-africanos que estiveram no Oriente Médio de setembro a dezembro de 2004, como parte do Programa Ecumênico de Acompanhamento à Palestina e Israel (PEAPI), do Conselho Mundial de Igrejas.

"Os mecanismos do Estado israelense lembram muito o regime de apartheid. Mas toda autoridade que depender do medo é espiritual, financeira e racionalmente insustentável a longo prazo", destacou.

Na opinião do bispo, alcançar a reconciliação nas comunidades do Oriente Médio representaria "um paradigma novo e redentor para o mundo", particularmente pelo significado de Jerusalém para as três grandes religiões monoteístas: o cristianismo, o islamismo e o judaísmo.

O imperativo de uma reconciliação com a criação foi destacado pelo reverendo Dr. Pepine Iosua, pescador, pastor e professor no Colégio de Teologia Tangintebu, em Tarawa, Kiribati. Ele denunciou o alarmante aumento do nível do mar e suas funestas conseqüências para a vida das espécies e dos habitantes de numerosas pequenas ilhas do Pacífico

O reverendo Iousa conclamou os cristãos de todo o mundo a trabalharem solidariamente para reduzir as causas da mudança climática induzida pelos seres humanos.

"Dirigimos de modo especial esse chamamento às igrejas das nações industrializadas, cujas sociedades são historicamente responsáveis pela maior parte da emissão de gases contaminadores", ressaltou.