![Grupo conservador ortodoxo protesta contra presença do CMI em Atenas. [Foto: Peter Williams]](/picture/Ortodoxo_conservador_34f7bf.jpg)
Nem todos dão boas-vindas aos cristãos em Aghios Andreas
Manuel Quintero, ATENAS, Grecia, Maio 12, 2005
Um grupo de cristãos ortodoxos gregos não está satisfeito com a presença nesta capital de Taxi Heathrow Airport cerca de 700 cristãos de uma ampla variedade de confissões, representando mais de cem países do planeta, na 13ª Conferência Mundial sobre Missão e Evangelização.
O grupo expressou seu descontentamento com uma demonstração em frente ao centro Aghios Andreas, sede da Conferência, e distribuiu panfletos com chamadas curiosas e estridentes. Os protagonistas do ato de repúdio à Conferência são os mesmos que, há quase quatro anos, opuseram-se à visita do papa João Paulo II à Grécia.
João Paulo II veio a Atenas no início de maio de 2001. Ele foi o primeiro pontífice católico romano que visitou o país em 1.291 anos, a convite do governo de Costis Stephanopoulos e não pela Igreja da Grécia.
Naquela ocasião, além de expressar rechaço nas ruas com cartazes que chamavam o papa de "anticristo" e "pessoa não grata", vários mosteiros hastearam bandeiras pretas e algumas tocaram os sinos em sinal de lástima pela presença do pontífice.
Muitos fiéis ortodoxos, incluindo significativos setores do clero, acusam o papado católico pelo grande cisma de 1054 e pela Quarta Cruzada, que saqueou Constantinopla, em 1204.
As manifestações desses fiéis ortodoxos "conservadores", num país que muitos analistas consideram por si conservador em razão do estreito vínculo às tradições e costumes, foi o incidente pitoresco numa reunião que decorre sem maiores sobressaltos, apesar da ampla diversidade de experiências e confissões cristãs representadas.
"Não à invasão massônica do Conselho Mundial de 'Igrejas' na Grécia Ortodoxa" e "Heréticos do Conselho Mundial de Igrejas, regressem à Ortodoxia que é a única verdade", diziam os panfletos distribuídos pelos manifestantes, que não puderam ultraspassar as portas do centro pois estavam resguardadas por militares zelosos do dever - e ficaram dispersos no solo empedrado que conduz a um restaurante próximo, freqüentado à noite por jornalistas que cobrem a conferência.
A sociedade grega é uma das mais religiosas da Europa e a participação em massa nas festividades do calendário cristão, bem como o grande número de batizados e funerais religiosos, evidencia a importância da religião popular neste país mediterrâneo.
Dentre todos os europeus, são os gregos os que mais celebram o matrimônio religioso: quase 90% contra uma média de 74% nos demais países do continente.
Muitos desses ortodoxos fundamentalistas pertencem à seita do Velho Calendário, que rompeu com a Igreja de Grécia quando ela adotou o calendário gregoriano, em 1924. Ainda que muitos continuem sendo chamados de "velhos calendaristas" por seu apego ao calendário Juliano, eles reconhecem que a polêmica em torno da adoção do calendário não foi senão um sintoma de algo mais profundo, que qualificam como a "arqui-heresia do ecumenismo".
Os protestantes de Aghios Andreas, que depois de dois dias de manifestações pacíficas e silenciosas abandonaram o lugar sem pena nem glória, crêem firmemente que eles protegem, com seus atos e declarações, a pureza da ortodoxia de inovações heréticas na prática e na doutrina.
Uma pureza que para os ortodoxos sectários e fundamentalistas está ameaçada pelas declarações de sua beatitude Christodoulus, líder da Igreja da Grécia, que nesta mesma Conferência afirmou a necessidade do encontro e do diálogo ecumênico, bem como de uma nova articulação da identidade e da missão cristãs para fazer frente aos desafios contemporâneos.

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