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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Kabue, secretário-executivo da Rede Ecumênica de Defesa dos Incapacitados, do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). [Foto: Peter Williams-CMI]
Kabue, secretário-executivo da Rede Ecumênica de Defesa dos Incapacitados, do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). [Foto: Peter Williams-CMI]

Igreja, lugar de processo e comunhão comum para todos

Manuel Quintero, ATENAS, Grecia, Maio 11, 2005

 Se a igreja é, por definição, um lugar e um processo de comunhão, aberto e acolhedor para todos, sem discriminação, por que aqueles que se consider estranhos ou estrangeiros, diferentes ou talvez incapacitados, são marginalizados e inclusive excluídos do seu meio?

Essa pergunta, do pastor presbiteriano Samuel Kabue, do Quênia, comoveu os participantes da Conferência Mundial sobre Missão e Evangelização, que iniciou o segundo dia de atividades, hoje, com o painel intitulado "Chamados em Cristo a ser comunidades de cura e reconciliação". Kabue é cego de nascimento. Ele é o secretário-executivo da Rede Ecumênica de Defesa dos Incapacitados, do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

"Sempre que isso ocorre, ainda que seja por omissão passiva, a igreja não é o que está chamada a ser. Ela nega sua própria realidade. Na igreja, somos convidados a atuar de outro modo. Como diz São Paulo, as partes do corpo que parecem mais débeis - e notemos que não diz que são realmente mais débeis - são indispensáveis", advertiu.

Kabue criticou as igrejas que relacionam de forma estreita a incapacidade com a enfermidade e o pecado. Para essas igrejas, disse, "quando as orações pela cura não produzem o efeito desejado, a vítima é acusada de não ter fé".

Em troca, "Jesus utilizou a cura para unir a pessoa incapacitada ao resto da sociedade", sublinhou o painelista, chamando as igrejas a definirem a cura com um sentido integral. Enquanto a cura se relaciona com a reconstrução do corpo físico, "a incapacidade é uma construção social e a cura é a supressão de barreiras sociais", anotou.

A líder pentecostal Rut Noemí Petrecca compartilhou com o público a aterradora experiência de seu casamento e divórcio, e o decisivo papel da igreja para sua cura e recuperação.

"Hoje entendo a importância de uma comunidade que cura, mas também entendo que a decisão é pessoal, não há nada mágico. É um processo que começa quando o desejamos e decidimos caminhar a cada dia obedecendo e sendo fiéis a Deus, a nossos líderes e à comunidade que nos acolhe", disse.

Noemí Petrecca está convencida de que "devemos tomar a nós a responsabilidade de converter o negativo em positivo, com a autoridade e a força que nos dá o Espírito de Deus". Ela é a secretária-executiva da Igreja Cristã Bíblica Argentina e de ministérios como "Cruzada a Cada Lar" e "Sociedade Bíblica Internacional".

O terceiro painelista, o teólogo grego ortodoxo Athanasios N. Pathanasiou, assinalou que a reconciliação tem dimensões cósmicas e existenciais, mas que, para alcançá-la, não se trata de que os seres humanos regressem a uma espécie de paraíso perdido. A reconciliação faz parte da busca de todo o universo daquele futuro para a qual foi criada, mas que ainda não se converteu numa realidade: o escatológico Reino de Deus", anunciou.

Esse Reino, cuja realização plena terá lugar no futuro, inspira as lutas e as ações históricas ao lado das vítimas e dos oprimidos; e, ao mesmo tempo, deixa aberta a história ao futuro e às imprevisíveis iniciativas de Deus, disse Pathanasiou.

"A violência e a missão", "A cura" e "A reconciliação" são os temas dos três plenários restantes, aos quais se somam as chamadas "synaxeis", cerca de 60 no total, reuniões diárias de grupo que permitem abordar com maior profundidade uma ampla gama de temas específicos vinculados com a missão e a evangelização neste século.

A conferência, da qual participam cerca de 650 pessoas de 105 países, termina no domingo, 15, com um culto de envio missionário, que terá como palco o Areópago ateniense.