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Sábado, 10 de Novembro de 2007

A cruz de Jerusalém: símbolo ecumênico da reconstrução da esperança

Manuel Quintero, ATENAS, Grecia, Maio 10, 2005

 Proveniente de Jerusalém, uma cruz feita com fragmentos de oliveira, que foram arrancados para a Taxi Heathrow Airport construção do "muro de segurança" israelense, chegou por barco ao centro Aghios Andreas na manhã desta terça-feira, 10 de maio, na abertura da conferência mundial sobre missão e evangelização.

A intenção dos líderes cristãos da Terra Santa que participaram do projeto é que a cruz seja um símbolo da história e da realidade de povos que vivem em situações de injustiça, explicou o reverendo Chris Fergusson, pastor da Igreja Unida do Canadá que trabalha no Centro Ecumênico de Jerusalém.

Por isso a decisão de que ela fosse confeccionada por artesãos cristãos de Belém, cujo bem-estar é ameaçado pelo muro de segurança, destacou. No dia 9 de julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça de Haia emitiu juízo de que o muro que Israel construiu na Cisjordânia devia ser derrubado e pediu a intervenção das Nações Unidas para deter um projeto que, segundo expressou, impõe penúria a milhares de palestinos.

Os fragmentos de oliveira utilizados na elaboração da cruz - que tem cinco metros de altura - representam a destruição de vidas e propriedades na Palestina, disse Fergusson. Cerca de 50 hectares de oliveiras foram arrasados para a construção do muro em uma área próxima a Belém.

A cruz encarna o clamor das pessoas que vivem sob uma sufocante opressão, mas que, apesar de sua situação de fragmentação, são capazes de reconstruir a esperança, anotou.

O significado ecumênico da cruz foi enfatizado pelo sacerdote Peter Ashton, membro da Custódia Franciscana da Terra Santa. "Essa cruz foi engenhosamente construída colocando juntos fragmentos de oliveira: um claro aviso para todos nós de que o nosso testemunho é mais positivo e efetivo quando o mundo pode ver que nossas igrejas trabalham juntas", disse o padre Ashton em suas palavras aos participantes da conferência.

"A cruz é uma mostra do nosso amor e de nossas orações para que Deus os abençoe ricamente e guie suas deliberações", assinalou. A oliveira, que chega a alcançar três metros de altura, com folhas de cor verde brilhante, cresce na Terra Santa e pode sobreviver até 2.000 anos. Conhecida por sua robustez, ela produz uma madeira formosa com granulações coloridas que vão do rosado ao negro.

No jardim do Getsêmaní, onde Jesus Cristo orou na companhia de seus discípulos (Mateus 26,36), várias oliveiras centenárias são preservadas. Elas foram, bem provável, testemunhas daquela singular e dramática cena.