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Sábado, 10 de Novembro de 2007

A Colina de Marte, sede do areópago, vista da Acrópolis
A Colina de Marte, sede do areópago, vista da Acrópolis

Nas pegadas do apóstolo Paulo

Manuel Quintero, ATENAS, Grecia, Maio 9, 2005

Cerca de 700 cristãos das mais diversas tradições e de todos os rincões do planeta Taxi Heathrow Airport estão reunidos em Atenas, esta semana, para 13ª Conferência Mundial sobre Missão e Evangelização, convocada sob o lema: "Vem Espírito Santo, cura e reconcilia!" A conferência começou hoje e se estenderá até o domingo.

Muitos participantes estão conscientes de que seguem os passos do apóstolo Paulo, que visitou Atenas entre o ano 51 ou 52, em sua segundo viagem missionária. Paulo foi convidado a falar no areópago e em seu célebre discurso, relatado em Atos 17, não só não ignorou o contexto filosófico dos atenienses, mas utilizou categorias que lhes eram familiares, particularmente aos seguidores do estoicismo.

Atenas, berço da democracia e centro por excelência do ensino, era governada na época pelos romanos, que viajavam regularmente como turistas a Grécia, especialmente a Atenas, para apreciar a riqueza do mundo clássico que eles se esforçavam em imitar.

Aquela cidade de 100 mil habitantes que Paulo conheceu, onde era possível envolver-se intensamente em animadas discussões nos portais da ágora e conversar com Sócrates, hoje abriga quatro dos 11 milhões de habitantes da Grécia e está cheia de atividade, movimento e alvoroço.

Da ágora, onde alguns atenienses pouco hospitaleiros qualificaram Paulo de "charlatão", permanecem algumas ruínas ilustres, entre elas o templo a Atenas Niké (Atenas vitoriosa), a deusa protetora da cidade. Naquela época, era a praça do mercado e o coração da vida diária na cidade, o lugar público para encontros e conversas sobre qualquer tema. Os atenienses, como destaca o autor dos Atos dos Apóstolos, eram pessoas particularmente curiosas.

O areópago, tribunal de justiça constituído por 31 membros, funcionava numa colina dedicada ao deus Marte e se encarregava dos crimes capitais, embora também decidisse sobre questões constitucionais e administrativas. Ali Paulo foi levado, não para ser julgado, mas para uma conversa mais informal.

Ainda que o sermão de Paulo não tenha encontrado uma audiência muito favorável, a tradição assegura que o presidente do areópago ficou muito impressionado com as palavras do apóstolo. Tanto que se converteu ao cristianismo, foi ordenado bispo de Atenas pelo próprio Paulo e morreu martirizado na fogueira. Atualmente, o 17 de novembro é lembrado como o dia de São Dionísio Areopagita.

Da sede do areópago Paulo pôde admirar, na colina oposta, a antiga acrópolis (cidade no alto). Muitas cidades-estados da antiga Grécia eram construídas ao redor de uma acrópole, um lugar onde os habitantes podiam refugiar-se em casos de invasões, e onde se construíam alguns dos prédios mais sagrados.

Na acrópole da Atenas do século I foi construído o Partenon - obra cúpula de estilo dórico erigido entre 447 e 438- e outros edifícios construídos por Péricles no século V antes de Cristo, para refletir as conquistas políticas e culturais dos atenienses.

O Partenon era um templo dedicado à deusa Atena Pártenos, que no século VI de nossa era foi convertido numa igreja cristã. Sob Justiniano, foi dedicado primeiro à Santa Sofia e depois à Virgem Maria, antes de ser catedral dos duques francos e mesquita durante a ocupação otomana. Até que, em setembro de 1687, um projétil dos venezianos que sitiaram a acrópole fez estourar a pólvora ali armazenada pelos turcos. O resultado foi a destruição de boa parte do edifício, cujas ruínas são visitadas a cada ano por dezenas de milhares de turistas.

As boas-vindas aos participantes da reunião missionária será feita pelo arcebispo Christodoulos, líder da Igreja Grega, igreja que fez o convite e é a anfitriã principal da conferência. Uma igreja que se considera fundada pelo próprio Jesus Cristo, devido o contato de Jesus com alguns gregos, como narra o Evangelho de João (João 12,20-24) e particularmente por Paulo, que fundou comunidades cristãs em suas viagens missionárias pela região.