Teóloga sugere a ética da simpatia no diálogo inter-religioso
Micael Vier B., SAO LEOPOLDO, Brasil, Maio 2, 2005
Ao propor a "ética da simpatia" como forma de acolhimento e compreensão das diferentes manifestações Taxi Heathrow Airport religiosas, a doutora em teologia e professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Cleusa Maria Andreatta, disse que a adesão pessoal à fé e a abertura à fé dos outros não precisam se excluir mutuamente.
O fazer teológico, embora manifeste-se a partir da fé individual de cada um, não pode anular a diferença do outro. "O grande problema em se tratando de diálogo inter-religioso é o modo como afirmo a minha identidade religiosa", sublinhou.
Segundo Cleusa Maria, o diálogo verdadeiro implica a afirmação da própria identidade religiosa, o que não representa um obstáculo ao diálogo, mas é condição necessária para que o mesmo se desenvolva.
"Diálogo pressupõe igualdade entre parceiros e parceiras. Não se trata de assumir a idéia ingênua e acrítica de que todas as religiões são iguais", frisou a teóloga católica em entrevista concedida à revista IHU - On Line. A riqueza ou a pobreza das diferentes religiões está justamente na idéia de que elas não são iguais. O que não pode acontecer, frisou, é cair num relativismo religioso.
Para Cleusa Maria, que ministrou palestra no círculo de debates da Unisinos na quinta-feira, 28 de abril, a teologia tem como tarefa acompanhar as comunidades cristãs em sua experiência de fé; servir à causa do Reino de Deus e discernir a contribuição específica da fé cristã no mundo de hoje.
Ao relembrar o teólogo modernista Edward Schillebeeckx, a palestrante disse que há mais verdades no conjunto de todas as religiões do que exclusivamente em uma só manifestação da fé.
O grande desafio para o diálogo entre religiões, mencionou Andreatta, é como se abrir para uma visão de fé que reconheça positivamente a existência de outras religiões. A representação de Jesus como manifestação de Deus na fé cristã não elimina a revelação de Deus em outros contextos, sinalizou.
Cleusa Maria citou o teólogo suíço Hans Küng. Ele enfatiza que "não haverá paz no mundo sem uma paz entre as religiões". A teóloga brasileira entende que o diálogo inter-religioso caminha justamente neste sentido - de paz entre as religiões.

Portada
Início
Comenta este artigo