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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Teologia da Prosperidade

Jonathán Pimentel, SAN JOSÉ, , Maio 2, 2005

Uma problematização das críticas à chamada "teologia da prosperidade" 
 

Nos últimos anos surgiram algumas críticas Taxi Heathrow Airport contra a prática do que se denominou "teologia da prosperidade" (TP).[1] Essas denúncias provêm de federações de igrejas, organismos ecumênicos, universidades, igrejasindependentes e professores universitários.

A  meu juízo, faz falta uma maior problematização em algumas das críticas propostas. Mais adiante tentarei oferecer uma problematização. Primeiro, desejo explicitar, em linhas gerais, do que se trata e do que não se tratam as críticas.

Estado da questão 

Em  primeiro lugar, a crítica fundamental não tenta julgar a validade do uso de meios de comunicação de massa no âmbito dos ministérios cristãos. Em  segundo lugar, a problematização não inclui avaliações pessoais, isto é, a questão é colocada em nível estrutural e não pessoal.

Em  terceiro lugar, as críticas não excluem - ao menos a maioria - a pluralidade nem veta as previsíveis divergências hermenêuticas, isto é, não faz da exposição da discussão um desejo totalizador ou homogeneizador.

Por último, o problema nuclear não discute diretamente uma ou outra doutrina cristã. No entanto, em certas ocasiões a discussão sobre o tema da graça é central na crítica à TP.

Agora, depois de  ter deixado claro de que não se trata o problema considerado. Podemos propor, via positiva, quais são as críticas centrais à TP.

Em  primeiro lugar, aparece uma crítica teórica/teológica em que se não se denuncia a falsidade dos juízos e discursos de  tal teologia (principalmente em  pontos considerados centrais de alguma herança denominacional) frente a outros discursos que reclamam validade ou certa verdade.

Em  segundo lugar, aparece a crítica ética que assinala o caráter prejudicial (injusto?) das ações da TP. Em  terceiro lugar, a crítica faz referência à deformação e inadequação espiritual e existencial promovida pela TP. Essas três críticas formam o núcleo do que se disse nos últimos anos. 

Problematização 

Em  consideração a esse núcleo faço as seguintes precisões, com o propósito de  problematizar a discussão:  

a) Não se trata de interrogar a TP a partir de textos ou tradições denominacionais, perguntando-se por  meio de que erro, desvio, ignorância, distorção especulativa ou prática a "doutrina" pôde ser traída a tal ponto. Trata-se, pelo contrário, de interrogar nossas tradições a partir da realidade dessa teologia.

Melhor do que buscar em  nossas tradições o que poderia condená-la antecipadamente, trata-se de  perguntar o que nelas se permitiu e continua justificando-a e que ainda permite a sua existência. A questão da TP não deve ser discutida em termos de erro (versão teórica), mas de  realidade.

b) Não tratar de  situar a interrogação unicamente em nível das causas - ainda que isso seja importante. Se nos perguntarmos: qual é a causa da TP (ignorância, má intenção, oportunismo, involução)? Faz dessa teologia uma doença, se ela for pensada somente de modo negativo, como um obstáculo a ser eliminado ou uma disfunção a ser corrigida. A TP é a doença de um cristianismo por demais são e robusto.

A questão da TP deve ser analisada em termos positivos. Não se deve fazer uma separação entre o problema das causas e o problema do funcionamento: para quê e a quem serve? Que funcionamento assegura? Em que discursos e práticas se integra? 

c) Devemos renunciar à subvalorização que coloca a TP como representante de um cristianismo entre aspas, frente a  nosso cristianismo - sem aspas -, o qual seria o único a fornecer o ponto de vista legítimo.

d) Em suma, há que fazer valer a especificidade da questão desta teologia contra toda conversão teórica (que faz dela uma questão legível a partir de algumas tradições), contra toda conversão historicista (que faz dela um efeito de  conjuntura, isolado a  partir de suas causas), contra toda dissociação utópica (que coloca a TP como "pseudocristianismo", em  oposição ao cristianismo "em si"). 

Conclusão

Devemos cuidar para não cair em simplismos e simplificações rudes, mas antes de tudo temos que buscar o debate crítico. As discussões conjunturais -em determinadas ocasiões - nos fazem criar (ou precisamos criá-los?) monstros e nos convertemos em  vigilantes e verdugos. O fazer teológico latino-americano não pode permitir-se cair em  semelhante armadilha.

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Jonathan Pimentel. Diretor do Seminário Teológico Batista da Costa Rica.