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Domingo, 8 de Maio de 2005

Jornal publica informe sobre católicos e evangélicos

LIMA, Perú, Maio 2, 2005

Em artigo publicado na quinta-feira, 28 de abril, o diário La República analisa as razões do crescimento da população evangélica no Peru e o decréscimo do número de católicos.

O jornal menciona estudo recente publicado pelo sociólogo José Luis Pérez Guadalupe, sob o título "Ecumenismo, seitas e novos movimentos religiosos", e recolhe opiniões do presidente do Conselho Nacional Evangélico do Peru (Conep), reverendo Rafael Goto Silva.

O jornalista relata a experiência de Roberto, que não quis revelar seu  sobrenome. Ele veio de Ayacucho há cinco anos, convencido de que sua fé na Igreja Católica era à prova de balas. Na verdade, não era. Três anos antes pensara em viajar para Huancayo, a fim de tentar ingressar no seminário e tornar-se padre.

Hoje, Roberto participa de igreja evangélica na avenida Tupac Amaru, no bairro Comas, ao norte da capital. Ele "converteu-se".

 O que aconteceu? Por que tantos bancos e confessionários estão vazios? Por que as cestas de coleta retornam com pouco dinheiro ao final das homilias? É notório que cada vez menos pessoas vão à missa. Apenas 5% das pessoas que se declaram católicas participam de missa todos os dias da semana.

O sociólogo Pérez Guadalupe, que também é professor de teologia, constata em seu estudo que a própria Igreja Católica é responsável pelo afastamento dos fiéis. Ainda mais agora, quando a Igreja Católica atravessa crise no Peru - e em outras partes do mundo -, por causa do êxodo de sua membresia, pela recente partida de seu guia máximo, o papa João Paulo II, e o crescimento dos evangélicos e outras manifestações religiosas.

Pérez Guadalupe reflete: "Considero que é um problema de forma, mas não de fundo. A diferença da igreja evangélica, onde cada um de seus membros é um potencial evangelizador, na Igreja Católica esse trabalho é realizado exclusivamente pelos sacerdotes. Então, é um problema de chegada. Essa é uma das razões pela qual os evangélicos constituem hoje 13% da população peruana", assinala.

Outra razão, segundo o pesquisador, é o escasso número de religiosos católicos no Peru. "Apesar do tamanho da população católica (76%, segundo recente estudo da empresa Apoyo), só há um sacerdote para cada dez mil habitantes, enquanto que para cada 300 evangélicos há um pastor", aponta.

Cuidando de não parecer triunfalista, o presidente do Conep disse que, de fato, nas últimas duas décadas a presença da igreja evangélica no Peru cresceu de maneira significativa. Em 1993, lembrou, os evangélicos representavam 7% a 8% do total de peruanos que professavam alguma religião. Hoje, chegam a 13%.

Diante da pergunta óbvia "por quê?", Goto respondeu que há duas causas para esse crescimento. A primeira tem a ver com o pluralismo religioso existente. "Podemos dizer, inclusive, que existe mais oferta religiosa. Hoje mais pessoas podem eleger a sua fé".

Mas também arrola fatores subjetivos, que são a segunda causa do "êxodo" dos católicos para outras religiões. Isso tem a ver com as relações das pessoas com sua igreja. No caso dos católicos convertidos hoje em evangélicos, sentiram que encontraram espaços novos para viver sua fé de maneira livre. Notaram que eram atendidos e reconhecidos. Há uma participação mais ativa.

A isso se soma, explicou o presidente do Conep, a estrutura horizontal da igreja evangélica, na qual as pessoas são mais importantes que os rituais, contra a posição vertical da Igreja Católica.

Mesmo que o número de católicos no Peru tenha diminuído nas últimas duas décadas - segundo o censo de 1993, 88,9% de peruanos se declararam católicos -, ninguém discute que esse continua sendo o principal culto no país.


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