Ecumenismo sob Bento XVI tende a não avançar, apontam teólogos
Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Abril 29, 2005
Na homilia da missa do domingo, 24, que marcou o início do pontificado de Bento Taxi Heathrow Airport XVI, e no contato que teve na segunda-feira, 25, com representantes de igrejas cristãs, em Roma, o papa recém eleito destacou o ecumenismo e o diálogo inter-religioso como os objetivos mais importantes do seu pontificado.
Teólogos protestantes e anglicano ouvidos pela ALC preferem fazer o teste São Tomé quanto ao ecumenismo do papa Bento XVI: ver para crer. "O momento é de espera, porque agora são os espaços dos discursos e das promessas. É preciso prudência, de ver como será a prática", recomenda o pastor metodista Norberto Garin, de Porto Alegre.
Garin reporta-se à trajetória e cargo ocupado pelo cardeal Joseph Alois Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé, período em que zelou pela ortodoxia católica e chamou teólogos às falas.
"Ratzinger foi o teólogo da casa no pontificado de João Paulo II", destaca Rudolf von Sinner, professor de Teologia Sistemática, Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso na Escola Superior de Teologia (EST), em São Leopoldo.
Falando em nome pessoal, o diretor do Seminário Teológico Reverendo Antonio de Godoy Sobrinho, Silas de Oliveira, entende que o ecumenismo retrocederá sob Bento XVI. "É um caminho para trás, o discurso conservador e até fundamentalista em muitas questões representa um retrocesso", afirma o professor do seminário da Igreja Presbiteriana Independente (IPI), de Londrina, Paraná.
Desapontado, o deão do Seminário Teológico Dom Egmont Machado Krischke, bispo Luiz Osório Prado, 62 anos, assinala que Bento XVI "está agravando e não ajudando o panorama ecumênico". O reitor do seminário episcopal anglicano também se reporta ao Ratzinger cardeal e receia toda tentativa de ecumenismo de cima para baixo.
A conclamação de Bento XVI ao entendimento entre cristãos é um chamado à unidade sob a liderança da Igreja Católica, segundo a eclesiologia do Concílio Vaticano II, assinala von Sinner. A referência é a Igreja de Cristo, que, na concepção romana, subsiste na Igreja Católica.
"O centro é o próprio Cristo e quem está mais perto de Cristo é a Igreja Católica", explica o professor da EST. Nessa concepção, as igrejas ortodoxas ainda seriam igrejas no sentido pleno, enquanto as denominações protestantes não passariam de comunidades eclesiais.
Von Sinner não espera mudanças na linha teológica sob Bento XVI. Mas ele não fecha totalmente a janela da esperança. "Agora, não podemos proibir o Espírito Santo, que sopra quando e onde quer, de fazer algo surpreendente, inclusive com Ratzinger", afirma.

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