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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Noel Fernández, coordenador da pastoral do CIC com as pessoas diferentemente capacitadas. [Foto: José A. Paz]
Noel Fernández, coordenador da pastoral do CIC com as pessoas diferentemente capacitadas. [Foto: José A. Paz]

Mulheres portadoras de deficiência pedem igualdade nas igrejas

José Aurelio Paz, GIBARA, Cuba, Abril 25, 2005

 Mais de 50 mulheres evangélicas que participaram do Encontro de Pessoas Portadoras de Deficiência, dias Taxi Heathrow Airport 14 a 18 de abril, nesta  cidade costeira da província de Holguín, reclamaram que a Igreja evangélica  cubana não as considere como parte da liderança ativa. O assunto motivou um  amplo debate.

"Violência, mulher e deficiência" foi um dos temas abordados no encontro, que recolheu experiências sobre a dupla discriminação que atinge as mulheres portadoras de deficiência. Trata-se de típico fenômeno de uma cultura patriarcal arraigada por séculos entre os povos latino-americanos e caribenhos.

Embora em Cuba a mulher seja reconhecida como uma força social, no projeto restaurador das relações humanas, no seio familiar, eclesial e nacional, subsistem padrões perniciosos de conduta que a submetem e, em muitos casos, a privam de seus direitos mais elementares.

"Isso nos mostra que, inclusive numa sociedade como a cubana, que promove a igualdade entre o homem e a mulher, ainda existe muito caminho para andar", disse a organizadora do encontro, Nancy Guerra.

Isso se traduz numa dupla carga para a mulher que for portadora de alguma deficiência. Assim que o propósito desses encontros é, justamente, que a Igreja, através de seus líderes, entenda o papel renovador e conscientizador que tem nesse sentido, definiu Guerra.

O reverendo Noel Fernández, atual coordenador da Pastoral com Pessoas Portadoras de Deficiência do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC), acrescentou que é valioso que se dê continuidade a esse objetivo.

Lembrou que o encontro de Gibara teve um evento antecedente similar, realizado em meados do ano passado, com mulheres portadoras de deficiência da região central do país.

"Move-nos o amor de Deus a fomentar uma sociedade e uma Igreja inclusivas, segundo o exemplo que nos deixou Jesus Cristo quando em sua ação envolveu todo tipo de pessoa", disse Fernández.

Assim, "toca-nos, então, buscar vias para que as mulheres portadoras de deficiência possam trabalhar assim como os demais crentes, longe de qualquer discriminação que segrega e fragmenta", concluiu.