País vive sob tensão
Nilton Giese, QUITO, Ecuador, Abril 20, 2005
Um novo estilo de reclamação popular foi inaugurado em Quito. A Rádio La Luna acolheu Taxi Heathrow Airport a idéia de um experiente comunicador chileno que encarou, da sua emissora de rádio, a ditadura de Pinochet e que agora reside na cidade.
Através de sua programação, a rádio convocou os cidadãos para saírem de suas casas portando panelas vazias, depois do trabalho, a fim de protestar contra as violações constitucionais, "sem líderes políticos".
As manifestações se multiplicaram em toda a cidade como um dominó por mensagens telefônicas e foram retransmitidas, inclusive, por outras emissoras, através da Associação Latino-Americana de Educação Radiofônica (ALER).
Crianças, jovens, donas de casa, pais de família e anciãos vestidos com roupas de trabalho bateram colheres de pau contra as panelas vazias e reclamaram, ao som de apitos, num som ensurdecedor "Lucio fora, Lucio fora".
A revolta popular é contra o presidente Lucio Gutiérrez e o Congresso que, entre 8 e 9 de dezembro de 2004, excedendo suas faculdades constitucionais, destituíram a Corte Suprema de Justiça e nomearam os sucessores segundo critérios políticos.
Essa nova corte absolveu dois ex-presidentes asilados em outros países (Gustavo Noboa e Abdalá Bucaram) e um ex-vice-presidente (Alberto Dahik), condenados por corrupção e desvio de recursos públicos. O retorno dessas pessoas ao país no dia 2 de abril último gerou a revolta popular.
Desde o dia 13 de abril as manifestações se tornaram cada vez mais intensas. O presidente da República decretou, na sexta-feira, 15, à noite, "estado de emergência" na capital, e encerrou as funções da atual Corte Suprema de Justiça.
O "estado de emergência" deu às manifestações mais energia ainda, o que provocou o levantamento da medida 20 horas depois de anunciada.
O encerramento das funções da Corte Suprema de Justiça pelo presidente da República foi condenado por vários legisladores como um ato ditatorial. Nessa nova e tensa situação, o Congresso Nacional reuniu-se extraordinariamente no domingo, 17, e suspendeu, por unanimidade, a resolução do dia 8 de dezembro de 2004.
A pergunta que fica: Quem deve eleger os membros da nova Corte Suprema de Justiça? A discussão nacional afirma que essa não deve ser tarefa dos partidos políticos, mas da sociedade civil organizada.
As marchas multiplicaram-se por todo o país. Além das manifestações contra o presidente e o Congresso, também surgiram marchas a favor. No dia 19 de abril, enquanto cerca de 15 mil indígenas da Federação de Indígenas Evangélicos do Equador (Feine) se reuniam na Praça de São Francisco em apoio ao presidente, mais de 50 mil pessoas marchavam pelas ruas centrais de Quito em direção ao Congresso Nacional em protesto contra o presidente.
A polícia respondeu à marcha contra o presidente com gás lacrimogêneo. Como resultado do confronto, morreu o jornalista chileno Julio Garcia, 58 anos; 16 pessoas ficaram feridas e 182 sofreram asfixia.
Na manhã de hoje, as manifestações aumentaram, motivadas em grande parte pela indignação provocada na cidadania de Quito pela morte do jornalista chileno, na noite anterior.
Ao caos reinante na cidade, causado pelas marchas e a repressão policial, somou-se a participação de grupos de pessoas vindas de outras províncias do país em apoio ao presidente.
Nos arredores de Quito aconteceram saques e ocorreram disparos de armas contra os manifestantes. Nesse confronto somou-se mais uma morte, de pessoa ainda não identificada. As forças de segurança recorreram ao gás lacrimogêneo e jato de água para dispersar a manifestação.
Ao meio-dia, o Congresso nacional tirou o presidente da República de suas funções, por abandono do poder. Pouco tempo antes, fora informado que as forças armadas haviam retirado o seu apoio a Lucio Gutiérrez.
Essa falta de apoio foi fundamental para a decisão do Congresso, que, ato contínuo, instalou o vice-presidente, Alfredo Palacio, na presidência. Ele assumiu o cargo como presidente do Equador no auditório do CIESPAL, local onde o Congresso Nacional estava reunido.
A cidadania mobilizada promete continuar vigilante para que esse resultado não seja cooptado pelas forças políticas tradicionais, e propõe que "saiam todos". Na frase inclui-se o Congresso, o Supremo Tribunal Eleitoral e o Tribunal de Garantias Constitucionais. Os dois tribunais também foram reestruturados de modo inconstitucional no dia 8 de dezembro de 2004.
Espera-se que o presidente Palacio convoque uma Assembléia Constituinte para reformar a constituição, medida que proporcionaria a reestrutura das funções do Estado e chamaria eleições gerais.
De acordo com as informações que circulam na mídia, o ex-presidente Gutiérrez estaria numa base militar, esperando poder sair para um país ainda não determinado. Sobre o ex-presidente pesa ordem de prisão.
Ao que tudo indica, o ex-presidente Abdalá Bucaram Ortiz já está de volta ao Panamá, junto com o ex-presidente da Corte Suprema de Justiça, Guillermo Castro Dájer. Bucaram residiu no Panamá de 1996 até o seu retorno ao Equador, no dia 2 de abril último.
O ambiente na capital continua tenso e ninguém sabe como vai terminar essa nova crise política no Equador. O certo é que nessa crise o povo da capital assumiu uma nova forma de protesto, que deu resultado imediato. Agora, é preciso ver como vão ser encaminhadas as conquistas obtidas até aqui.Um novo estilo de reclamação popular foi inaugurado em Quito. A Rádio La Luna acolheu a idéia de um experiente comunicador chileno que encarou, da sua emissora de rádio, a ditadura de Pinochet e que agora reside na cidade.
Através de sua programação, a rádio convocou os cidadãos para saírem de suas casas portando panelas vazias, depois do trabalho, a fim de protestar contra as violações constitucionais, "sem líderes políticos".
As manifestações se multiplicaram em toda a cidade como um dominó por mensagens telefônicas e foram retransmitidas, inclusive, por outras emissoras, através da Associação Latino-Americana de Educação Radiofônica (ALER).
Crianças, jovens, donas de casa, pais de família e anciãos vestidos com roupas de trabalho bateram colheres de pau contra as panelas vazias e reclamaram, ao som de apitos, num som ensurdecedor "Lucio fora, Lucio fora".
A revolta popular é contra o presidente Lucio Gutiérrez e o Congresso que, entre 8 e 9 de dezembro de 2004, excedendo suas faculdades constitucionais, destituíram a Corte Suprema de Justiça e nomearam os sucessores segundo critérios políticos.
Essa nova corte absolveu dois ex-presidentes asilados em outros países (Gustavo Noboa e Abdalá Bucaram) e um ex-vice-presidente (Alberto Dahik), condenados por corrupção e desvio de recursos públicos. O retorno dessas pessoas ao país no dia 2 de abril último gerou a revolta popular.
Desde o dia 13 de abril as manifestações se tornaram cada vez mais intensas. O presidente da República decretou, na sexta-feira, 15, à noite, "estado de emergência" na capital, e encerrou as funções da atual Corte Suprema de Justiça.
O "estado de emergência" deu às manifestações mais energia ainda, o que provocou o levantamento da medida 20 horas depois de anunciada.
O encerramento das funções da Corte Suprema de Justiça pelo presidente da República foi condenado por vários legisladores como um ato ditatorial. Nessa nova e tensa situação, o Congresso Nacional reuniu-se extraordinariamente no domingo, 17, e suspendeu, por unanimidade, a resolução do dia 8 de dezembro de 2004.
A pergunta que fica: Quem deve eleger os membros da nova Corte Suprema de Justiça? A discussão nacional afirma que essa não deve ser tarefa dos partidos políticos, mas da sociedade civil organizada.
As marchas multiplicaram-se por todo o país. Além das manifestações contra o presidente e o Congresso, também surgiram marchas a favor. No dia 19 de abril, enquanto cerca de 15 mil indígenas da Federação de Indígenas Evangélicos do Equador (Feine) se reuniam na Praça de São Francisco em apoio ao presidente, mais de 50 mil pessoas marchavam pelas ruas centrais de Quito em direção ao Congresso Nacional em protesto contra o presidente.
A polícia respondeu à marcha contra o presidente com gás lacrimogêneo. Como resultado do confronto, morreu o jornalista chileno Julio Garcia, 58 anos; 16 pessoas ficaram feridas e 182 sofreram asfixia.
Na manhã de hoje, as manifestações aumentaram, motivadas em grande parte pela indignação provocada na cidadania de Quito pela morte do jornalista chileno, na noite anterior.
Ao caos reinante na cidade, causado pelas marchas e a repressão policial, somou-se a participação de grupos de pessoas vindas de outras províncias do país em apoio ao presidente.
Nos arredores de Quito aconteceram saques e ocorreram disparos de armas contra os manifestantes. Nesse confronto somou-se mais uma morte, de pessoa ainda não identificada. As forças de segurança recorreram ao gás lacrimogêneo e jato de água para dispersar a manifestação.
Ao meio-dia, o Congresso nacional tirou o presidente da República de suas funções, por abandono do poder. Pouco tempo antes, fora informado que as forças armadas haviam retirado o seu apoio a Lucio Gutiérrez.
Essa falta de apoio foi fundamental para a decisão do Congresso, que, ato contínuo, instalou o vice-presidente, Alfredo Palacio, na presidência. Ele assumiu o cargo como presidente do Equador no auditório do CIESPAL, local onde o Congresso Nacional estava reunido.
A cidadania mobilizada promete continuar vigilante para que esse resultado não seja cooptado pelas forças políticas tradicionais, e propõe que "saiam todos". Na frase inclui-se o Congresso, o Supremo Tribunal Eleitoral e o Tribunal de Garantias Constitucionais. Os dois tribunais também foram reestruturados de modo inconstitucional no dia 8 de dezembro de 2004.
Espera-se que o presidente Palacio convoque uma Assembléia Constituinte para reformar a constituição, medida que proporcionaria a reestrutura das funções do Estado e chamaria eleições gerais.
De acordo com as informações que circulam na mídia, o ex-presidente Gutiérrez estaria numa base militar, esperando poder sair para um país ainda não determinado. Sobre o ex-presidente pesa ordem de prisão.
Ao que tudo indica, o ex-presidente Abdalá Bucaram Ortiz já está de volta ao Panamá, junto com o ex-presidente da Corte Suprema de Justiça, Guillermo Castro Dájer. Bucaram residiu no Panamá de 1996 até o seu retorno ao Equador, no dia 2 de abril último.
O ambiente na capital continua tenso e ninguém sabe como vai terminar essa nova crise política no Equador. O certo é que nessa crise o povo da capital assumiu uma nova forma de protesto, que deu resultado imediato. Agora, é preciso ver como vão ser encaminhadas as conquistas obtidas até aqui.Um novo estilo de reclamação popular foi inaugurado em Quito. A Rádio La Luna acolheu a idéia de um experiente comunicador chileno que encarou, da sua emissora de rádio, a ditadura de Pinochet e que agora reside na cidade.
Através de sua programação, a rádio convocou os cidadãos para saírem de suas casas portando panelas vazias, depois do trabalho, a fim de protestar contra as violações constitucionais, "sem líderes políticos".
As manifestações se multiplicaram em toda a cidade como um dominó por mensagens telefônicas e foram retransmitidas, inclusive, por outras emissoras, através da Associação Latino-Americana de Educação Radiofônica (ALER).
Crianças, jovens, donas de casa, pais de família e anciãos vestidos com roupas de trabalho bateram colheres de pau contra as panelas vazias e reclamaram, ao som de apitos, num som ensurdecedor "Lucio fora, Lucio fora".
A revolta popular é contra o presidente Lucio Gutiérrez e o Congresso que, entre 8 e 9 de dezembro de 2004, excedendo suas faculdades constitucionais, destituíram a Corte Suprema de Justiça e nomearam os sucessores segundo critérios políticos.
Essa nova corte absolveu dois ex-presidentes asilados em outros países (Gustavo Noboa e Abdalá Bucaram) e um ex-vice-presidente (Alberto Dahik), condenados por corrupção e desvio de recursos públicos. O retorno dessas pessoas ao país no dia 2 de abril último gerou a revolta popular.
Desde o dia 13 de abril as manifestações se tornaram cada vez mais intensas. O presidente da República decretou, na sexta-feira, 15, à noite, "estado de emergência" na capital, e encerrou as funções da atual Corte Suprema de Justiça.
O "estado de emergência" deu às manifestações mais energia ainda, o que provocou o levantamento da medida 20 horas depois de anunciada.
O encerramento das funções da Corte Suprema de Justiça pelo presidente da República foi condenado por vários legisladores como um ato ditatorial. Nessa nova e tensa situação, o Congresso Nacional reuniu-se extraordinariamente no domingo, 17, e suspendeu, por unanimidade, a resolução do dia 8 de dezembro de 2004.
A pergunta que fica: Quem deve eleger os membros da nova Corte Suprema de Justiça? A discussão nacional afirma que essa não deve ser tarefa dos partidos políticos, mas da sociedade civil organizada.
As marchas multiplicaram-se por todo o país. Além das manifestações contra o presidente e o Congresso, também surgiram marchas a favor. No dia 19 de abril, enquanto cerca de 15 mil indígenas da Federação de Indígenas Evangélicos do Equador (Feine) se reuniam na Praça de São Francisco em apoio ao presidente, mais de 50 mil pessoas marchavam pelas ruas centrais de Quito em direção ao Congresso Nacional em protesto contra o presidente.
A polícia respondeu à marcha contra o presidente com gás lacrimogêneo. Como resultado do confronto, morreu o jornalista chileno Julio Garcia, 58 anos; 16 pessoas ficaram feridas e 182 sofreram asfixia.
Na manhã de hoje, as manifestações aumentaram, motivadas em grande parte pela indignação provocada na cidadania de Quito pela morte do jornalista chileno, na noite anterior.
Ao caos reinante na cidade, causado pelas marchas e a repressão policial, somou-se a participação de grupos de pessoas vindas de outras províncias do país em apoio ao presidente.
Nos arredores de Quito aconteceram saques e ocorreram disparos de armas contra os manifestantes. Nesse confronto somou-se mais uma morte, de pessoa ainda não identificada. As forças de segurança recorreram ao gás lacrimogêneo e jato de água para dispersar a manifestação.
Ao meio-dia, o Congresso nacional tirou o presidente da República de suas funções, por abandono do poder. Pouco tempo antes, fora informado que as forças armadas haviam retirado o seu apoio a Lucio Gutiérrez.
Essa falta de apoio foi fundamental para a decisão do Congresso, que, ato contínuo, instalou o vice-presidente, Alfredo Palacio, na presidência. Ele assumiu o cargo como presidente do Equador no auditório do CIESPAL, local onde o Congresso Nacional estava reunido.
A cidadania mobilizada promete continuar vigilante para que esse resultado não seja cooptado pelas forças políticas tradicionais, e propõe que "saiam todos". Na frase inclui-se o Congresso, o Supremo Tribunal Eleitoral e o Tribunal de Garantias Constitucionais. Os dois tribunais também foram reestruturados de modo inconstitucional no dia 8 de dezembro de 2004.
Espera-se que o presidente Palacio convoque uma Assembléia Constituinte para reformar a constituição, medida que proporcionaria a reestrutura das funções do Estado e chamaria eleições gerais.
De acordo com as informações que circulam na mídia, o ex-presidente Gutiérrez estaria numa base militar, esperando poder sair para um país ainda não determinado. Sobre o ex-presidente pesa ordem de prisão.
Ao que tudo indica, o ex-presidente Abdalá Bucaram Ortiz já está de volta ao Panamá, junto com o ex-presidente da Corte Suprema de Justiça, Guillermo Castro Dájer. Bucaram residiu no Panamá de 1996 até o seu retorno ao Equador, no dia 2 de abril último.
O ambiente na capital continua tenso e ninguém sabe como vai terminar essa nova crise política no Equador. O certo é que nessa crise o povo da capital assumiu uma nova forma de protesto, que deu resultado imediato. Agora, é preciso ver como vão ser encaminhadas as conquistas obtidas até aqui.Um novo estilo de reclamação popular foi inaugurado em Quito. A Rádio La Luna acolheu a idéia de um experiente comunicador chileno que encarou, da sua emissora de rádio, a ditadura de Pinochet e que agora reside na cidade.
Através de sua programação, a rádio convocou os cidadãos para saírem de suas casas portando panelas vazias, depois do trabalho, a fim de protestar contra as violações constitucionais, "sem líderes políticos".
As manifestações se multiplicaram em toda a cidade como um dominó por mensagens telefônicas e foram retransmitidas, inclusive, por outras emissoras, através da Associação Latino-Americana de Educação Radiofônica (ALER).
Crianças, jovens, donas de casa, pais de família e anciãos vestidos com roupas de trabalho bateram colheres de pau contra as panelas vazias e reclamaram, ao som de apitos, num som ensurdecedor "Lucio fora, Lucio fora".
A revolta popular é contra o presidente Lucio Gutiérrez e o Congresso que, entre 8 e 9 de dezembro de 2004, excedendo suas faculdades constitucionais, destituíram a Corte Suprema de Justiça e nomearam os sucessores segundo critérios políticos.
Essa nova corte absolveu dois ex-presidentes asilados em outros países (Gustavo Noboa e Abdalá Bucaram) e um ex-vice-presidente (Alberto Dahik), condenados por corrupção e desvio de recursos públicos. O retorno dessas pessoas ao país no dia 2 de abril último gerou a revolta popular.
Desde o dia 13 de abril as manifestações se tornaram cada vez mais intensas. O presidente da República decretou, na sexta-feira, 15, à noite, "estado de emergência" na capital, e encerrou as funções da atual Corte Suprema de Justiça.
O "estado de emergência" deu às manifestações mais energia ainda, o que provocou o levantamento da medida 20 horas depois de anunciada.
O encerramento das funções da Corte Suprema de Justiça pelo presidente da República foi condenado por vários legisladores como um ato ditatorial. Nessa nova e tensa situação, o Congresso Nacional reuniu-se extraordinariamente no domingo, 17, e suspendeu, por unanimidade, a resolução do dia 8 de dezembro de 2004.
A pergunta que fica: Quem deve eleger os membros da nova Corte Suprema de Justiça? A discussão nacional afirma que essa não deve ser tarefa dos partidos políticos, mas da sociedade civil organizada.
As marchas multiplicaram-se por todo o país. Além das manifestações contra o presidente e o Congresso, também surgiram marchas a favor. No dia 19 de abril, enquanto cerca de 15 mil indígenas da Federação de Indígenas Evangélicos do Equador (Feine) se reuniam na Praça de São Francisco em apoio ao presidente, mais de 50 mil pessoas marchavam pelas ruas centrais de Quito em direção ao Congresso Nacional em protesto contra o presidente.
A polícia respondeu à marcha contra o presidente com gás lacrimogêneo. Como resultado do confronto, morreu o jornalista chileno Julio Garcia, 58 anos; 16 pessoas ficaram feridas e 182 sofreram asfixia.
Na manhã de hoje, as manifestações aumentaram, motivadas em grande parte pela indignação provocada na cidadania de Quito pela morte do jornalista chileno, na noite anterior.
Ao caos reinante na cidade, causado pelas marchas e a repressão policial, somou-se a participação de grupos de pessoas vindas de outras províncias do país em apoio ao presidente.
Nos arredores de Quito aconteceram saques e ocorreram disparos de armas contra os manifestantes. Nesse confronto somou-se mais uma morte, de pessoa ainda não identificada. As forças de segurança recorreram ao gás lacrimogêneo e jato de água para dispersar a manifestação.
Ao meio-dia, o Congresso nacional tirou o presidente da República de suas funções, por abandono do poder. Pouco tempo antes, fora informado que as forças armadas haviam retirado o seu apoio a Lucio Gutiérrez.
Essa falta de apoio foi fundamental para a decisão do Congresso, que, ato contínuo, instalou o vice-presidente, Alfredo Palacio, na presidência. Ele assumiu o cargo como presidente do Equador no auditório do CIESPAL, local onde o Congresso Nacional estava reunido.
A cidadania mobilizada promete continuar vigilante para que esse resultado não seja cooptado pelas forças políticas tradicionais, e propõe que "saiam todos". Na frase inclui-se o Congresso, o Supremo Tribunal Eleitoral e o Tribunal de Garantias Constitucionais. Os dois tribunais também foram reestruturados de modo inconstitucional no dia 8 de dezembro de 2004.
Espera-se que o presidente Palacio convoque uma Assembléia Constituinte para reformar a constituição, medida que proporcionaria a reestrutura das funções do Estado e chamaria eleições gerais.
De acordo com as informações que circulam na mídia, o ex-presidente Gutiérrez estaria numa base militar, esperando poder sair para um país ainda não determinado. Sobre o ex-presidente pesa ordem de prisão.
Ao que tudo indica, o ex-presidente Abdalá Bucaram Ortiz já está de volta ao Panamá, junto com o ex-presidente da Corte Suprema de Justiça, Guillermo Castro Dájer. Bucaram residiu no Panamá de 1996 até o seu retorno ao Equador, no dia 2 de abril último.
O ambiente na capital continua tenso e ninguém sabe como vai terminar essa nova crise política no Equador. O certo é que nessa crise o povo da capital assumiu uma nova forma de protesto, que deu resultado imediato. Agora, é preciso ver como vão ser encaminhadas as conquistas obtidas até aqui.

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