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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

O pastor luterano Ervino Schmidt destacou que a sociedade está desafiada a zelar pela vida. [Foto:ALC]
O pastor luterano Ervino Schmidt destacou que a sociedade está desafiada a zelar pela vida. [Foto:ALC]

Gestores expressam resistência ao projeto do deputado Divino

Micael Vier B., PORTO ALEGRE, Brasil, Abril 12, 2005

Gestores em igrejas históricas ouvidos pela ALC manifestaram-se contrários ao projeto de lei do deputado Taxi Heathrow Airport José Divino, que regulamenta a profissão de teólogo (veja matéria divulgada no dia 28 de março).

Representantes da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e da  Igreja Episcopal Anglicana do Brasil foram unânimes: cada denominação religiosa tem a capacidade de se autogerenciar, desde que o compromisso ético das igrejas seja assegurado.

O secretário de Pessoal da IECLB, pastor Edson Streck, lembrou que cada igreja tem a sua própria conduta de gerenciamento interno. O mais importante, destacou, é que essa regulamentação própria das igrejas cumpra com aquilo que é ético e constitucional. Ele descarta a necessidade de o Estado regulamentar a profissão de teólogo.

Justamente ai reside, na avaliação de Streck, o maior perigo da proposta do projeto de lei do deputado Divino: a autoridade concedida ao Estado de impor às igrejas quem pode ou não exercer a função de pastor.

"O que o Estado pode exigir é que as igrejas adotem critérios rígidos e éticos, além de apontar um curso de formação sólida de acordo com as exigências do Ministério da Educação (MEC)", sublinhou.

O secretário de Pessoal afirmou que as igrejas devem ter critérios rígidos de admissão de ministros para o quadro funcional. Dessa maneia, diminuiriam os casos de pastores que beiram ao charlatanismo e que se autodenominam de pregadores do evangelho.

O secretário executivo do Conic, pastor Ervino Schmidt, lembrou que a reformulação do código civil concede às igrejas a opção de definirem sua própria regulamentação funcional, desde que respeitados os preceitos constitucionais. Ele apontou para a necessidade de as igrejas investirem em bons seminários e faculdades de teologia.

Ao esclarecer a diferença entre pastor e teólogo, Schmidt explicou que o teólogo dedica-se ao estudo da teologia e à publicação de obras, enquanto o pastor é o indivíduo que assume na prática o trabalho evangelizador junto à comunidade. "Mas a gente supõe que pastores sejam também bons teólogos", emendou.

O presidente do Conic, bispo metodista Adriel de Souza Maia, emitiu opinião contrária à intervenção do Estado no exercício religioso. Cada igreja, apontou, precisa ter o seu governo, a sua organização e a sua gestão eclesiástica.

A respeito da regulamentação da profissão de teólogo, o presidente do Conic disse que toda a pessoa que prega a palavra de Deus no fundo faz teologia. "Precisamos de preparação adequada para entender o mundo em que vivemos, onde também deve se desenvolver a vida da igreja", afirmou.

A secretária geral da Igreja Episcopal Anglicana, Cristina Winnishofer, destacou a importância das comunidades exercerem papel ativo na construção da dinâmica das igrejas. Acredito que o projeto de lei do deputado Divino, disse, deve ser analisado de igreja para igreja e de religião para religião.

A maior preocupação diz respeito à ética dos profissionais e ao uso da fé em benefício de pequenos grupos, alertou a secretária geral. Ela colocou que o trabalhar com a fé é uma questão subjetiva, e que mais importante do que a possível regulamentação da profissão de teólogo viria a ser o investimento maciço em educação.