
Quaresma, Semana Santa 2005
Antonio Otzoy, GUATEMALA, Guatemala, Março 22, 2005
Estamos às portas da celebração do maior acontecimento da humanidade: a entrega de Jesus, de Taxi Heathrow Airport sua própria vida, em benefício da humanidade, para resgatar-nos e dar-nos a liberdade e a verdade.
Assim, ficaram neutralizadas as profundezas da obscuridade e as garras da morte para dar passagem à vida.
Inquietam-nos os acontecimentos nacionais e internacionais que antecedem a celebração da Vida em comunhão com Deus. Sobretudo, aqueles fatos que mostram o cinismo e a crueldade de algumas pessoas para submeter as demais sob seu domínio.
O filho de Deus, Jesus, disse, “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Por parte dos seres humanos, alguns em posição de autoridade local ou internacional, comportam-se como tiranos e verdugos de seus próprios irmãos.
Deus, em sua misericórdia, nos oferece a vida, e as autoridades ou aquelas mulheres ou homens embrutecidos pelo poder oferecem a morte a quem eles querem e como querem. Irmãos, o Criador nos inspira a viver em plenitude e para isso habita entre nós.
Nessa semana de reflexão e de comunhão busquemos a luz da sabedoria que vem do alto. Em Deus encontramos fortaleza para prosseguir. Irmãos e irmãs, vivemos entre duas dimensões opostas, contraditórias e em luta: a vida que Deus dá e a morte que as pessoas autoritárias nos oferecem. Devemos tomar a via da luz e da sabedoria, para que a vida flua nessas situações e condições de morte a que estamos submetidos.
O desenvolvimento da vida ativa e criativa rompe-se com rapidez, com uma só má notícia ou a força demolidora do engano, ocorram eles na vida sentimental ou política. Assim no mais, sem muito que falar.
Foi o que nos aconteceu aqui na Guatemala: numa semana foi falado, aprovado no Congresso, o Executivo o sancionou e foi publicado no Diário Oficial o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos.
As manifestações apareceram, as ocupações de rodovias, de prédios públicos, com saldo de mortos e feridos entre os manifestantes; foi organizado um “diálogo” entre governo e atores sociais com suas propostas.
Tudo ficou resumido a uma lista de quatro propostas: 1) Que o exército e a polícia não intervenham nas manifestações; 2) a destituição imediata do Ministro da Casa Civil e o do diretor da Polícia Nacional; 3) que o governo se abstenha de publicar no Diário Oficial o decreto 35-2005, do acordo do TLC aprovado pelo Congresso; 4) que o Congresso tire da agenda a iniciativa da lei geral de concessões e as reforma da norma de mineração.
O rumo que essa situação tomou nos empurra a tratar de abordar um trem já em marcha. Já não podemos pensar que é melhor abordar o trem quando está estacionado, para ter a oportunidade de encontrar o sentido, e ter tempo de buscar e situar-nos em posições que ofereçam maior e melhor expectativa para nossos sonhos de vida.
As mulheres e os homens com esperança, em Deus encontram fortaleza para prosseguir. Não devemos permitir que essa ou qualquer outra situação nos roubem a esperança e sejam desculpas para terminar com nossos sonhos e fé.
Numa relação familiar ou de casal pode-se chegar a buscar o espaço para dizer: “Demo-nos um tempo para revisar nossa relação”. Essa frase é cruel, porque pode ser a ante-sala de um adeus... para sempre.
Em outras áreas da vida somos conduzidos a uma perda do sentido da vida e se constitui num princípio de debilidade e empobrecimento intelectual, cultural e social.
Irmãos e amigos, não podemos permitir-nos desfalecer ou deixar que morramos em vida. Não devemos perder o encanto da nossa vida, pensemos que teremos as noites com suas estrelas, os pássaros com seus cantos e nós nossos seres queridos.
Estamos no momento de pensar que a vida flui porque Deus está conosco. É preciso viver sob a iluminação de Deus para que nossa experiência de vida não seja um martírio.
Há muitas coisas que nos desiludem, mas passarão esses momentos difíceis e cruéis. É preciso deixar que o sol de nosso entendimento seja refulgente pela presença de Deus, que permita que voltemos a sorrir em nosso coração e mente, então a desgraça provocada não vai nos tomar em seus tentáculos.
Ninguém compreende a dimensão de nossos problemas. Não os podemos esquecer. Nenhum dos métodos que nos ensinaram pode servir para muito. Jesus, a partir do seu martírio, convoca-nos a olhar além da desgraça e da miséria e desumano proceder de muitas pessoas em postos de decisão.
Como se consegue vencer a situação adversa? Com a ajuda de Deus, não porque caem as idéias do céu, mas porque Deus nos inspira por seu Espírito e por meio de tudo o que nos rodeia e não nos deixa ser atropelados pelas coisas negativas que estão ao nosso redor.
Há métodos que se podem aprender, que de uma ou outra maneira nos ensinam a viver, analisar e a atuar frente aos problemas. Só Deus com o seu divino amor e poder nos dá a força no espírito, dia a dia nos conforta para que possamos sobrepujar a tortura e a desesperança.
Que Deus nos permita ver um novo amanhecer e trabalhar para que em todas as ordens da vida descubramos o novo e inspirador. Deus nos socorre nos momento de luta, de desesperança e angústia, porque não deixa que nada nem ninguém estorve a vida.
Deus nos compromete: “Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença. Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos de seus lábios” (Salmos 105,4s.)!
Feliz semana, e lembremos que o autor da vida está conosco.
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Antonio Otzoy, UBT/Conferência de Igrejas Evangélicas da Guatemala (CIEDEG)

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