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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Antonio Otzoy, pastor presbiteriano de Guatemala
Antonio Otzoy, pastor presbiteriano de Guatemala

Quaresma, Semana Santa 2005

Antonio Otzoy, GUATEMALA, Guatemala, Março 22, 2005

Estamos às portas da celebração do maior acontecimento da humanidade: a entrega de Jesus, de Taxi Heathrow Airport sua própria vida, em benefício da humanidade, para resgatar-nos e dar-nos a liberdade e a verdade.

Assim, ficaram neutralizadas as profundezas da obscuridade e as garras da morte para dar passagem à vida.

Inquietam-nos os acontecimentos nacionais e internacionais que antecedem a celebração da Vida em comunhão com Deus. Sobretudo, aqueles fatos que mostram o cinismo e a crueldade de algumas pessoas para submeter as demais sob seu domínio.

O filho de Deus, Jesus, disse, “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Por parte dos seres humanos, alguns em posição de autoridade local ou internacional, comportam-se como tiranos e verdugos de seus próprios irmãos.

Deus, em sua misericórdia, nos oferece a vida, e as autoridades ou aquelas mulheres ou homens embrutecidos pelo poder oferecem a morte a quem eles querem e como querem. Irmãos, o Criador nos inspira a viver em plenitude e para isso habita entre nós.

Nessa semana de reflexão e de comunhão busquemos a luz da sabedoria que vem do alto. Em Deus encontramos fortaleza para prosseguir. Irmãos e irmãs, vivemos entre duas dimensões opostas, contraditórias e em luta: a vida que Deus dá e a morte que as pessoas autoritárias nos oferecem. Devemos tomar a via da luz e da sabedoria, para que a vida flua nessas situações e condições de morte a que estamos submetidos.

O desenvolvimento da vida ativa e criativa rompe-se com rapidez, com uma só má notícia ou a força demolidora do engano, ocorram eles na vida sentimental ou política. Assim no mais, sem muito que falar.

Foi o que nos aconteceu aqui na Guatemala: numa semana foi falado, aprovado no Congresso, o Executivo o sancionou e foi publicado no Diário Oficial o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos.

As manifestações apareceram, as ocupações de rodovias, de prédios públicos, com saldo de mortos e feridos entre os manifestantes; foi organizado um “diálogo” entre governo e atores sociais com suas propostas.

Tudo ficou resumido a uma lista de quatro propostas: 1) Que o exército e a polícia não intervenham nas manifestações; 2) a destituição imediata do Ministro da Casa Civil e o do diretor da Polícia Nacional; 3) que o governo se abstenha de publicar no Diário Oficial o decreto 35-2005, do acordo do TLC aprovado pelo Congresso; 4) que o Congresso tire da agenda a iniciativa da lei geral de concessões e as reforma da norma de mineração.

O rumo que essa situação tomou nos empurra a tratar de abordar um trem já em marcha. Já não podemos pensar que é melhor abordar o trem quando está estacionado, para ter a oportunidade de encontrar o sentido, e ter tempo de buscar e situar-nos em posições que ofereçam maior e melhor expectativa para nossos sonhos de vida.

As mulheres e os homens com esperança, em Deus encontram fortaleza para prosseguir. Não devemos permitir que essa ou qualquer outra situação nos roubem a esperança e sejam desculpas para terminar com nossos sonhos e fé.

Numa relação familiar ou de casal pode-se chegar a buscar o espaço para dizer: “Demo-nos um tempo para revisar nossa relação”. Essa frase é cruel, porque pode ser a ante-sala de um adeus... para sempre.

Em outras áreas da vida somos conduzidos a uma perda do sentido da vida e se constitui num princípio de debilidade e empobrecimento intelectual, cultural e social.

Irmãos e amigos, não podemos permitir-nos desfalecer ou deixar que morramos em vida. Não devemos perder o encanto da nossa vida, pensemos que teremos as noites com suas estrelas, os pássaros com seus cantos e nós nossos seres queridos.

Estamos no momento de pensar que a vida flui porque Deus está conosco. É preciso viver sob a iluminação de Deus para que nossa experiência de vida não seja um martírio.

Há muitas coisas que nos desiludem, mas passarão esses momentos difíceis e cruéis. É preciso deixar que o sol de nosso entendimento seja refulgente pela presença de Deus, que permita que voltemos a sorrir em nosso coração e mente, então a desgraça provocada não vai nos tomar em seus tentáculos.

Ninguém compreende a dimensão de nossos problemas. Não os podemos esquecer. Nenhum dos métodos que nos ensinaram pode servir para muito. Jesus, a partir do seu martírio, convoca-nos a olhar além da desgraça e da miséria e desumano proceder de muitas pessoas em postos de decisão.

Como se consegue vencer a situação adversa? Com a ajuda de Deus, não porque caem as idéias do céu, mas porque Deus nos inspira por seu Espírito e por meio de tudo o que nos rodeia e não nos deixa ser atropelados pelas coisas negativas que estão ao nosso redor.

Há métodos que se podem aprender, que de uma ou outra maneira nos ensinam a viver, analisar e a atuar frente aos problemas. Só Deus com o seu divino amor e poder nos dá a força no espírito, dia a dia nos conforta para que possamos sobrepujar a tortura e a desesperança.

Que Deus nos permita ver um novo amanhecer e trabalhar para que em todas as ordens da vida descubramos o novo e inspirador. Deus nos socorre nos momento de luta, de desesperança e angústia, porque não deixa que nada nem ninguém estorve a vida.

Deus nos compromete: “Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença. Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos de seus lábios” (Salmos 105,4s.)!

Feliz semana, e lembremos que o autor da vida está conosco.

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 Antonio Otzoy, UBT/Conferência de Igrejas Evangélicas da Guatemala (CIEDEG)