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Terça-feira, 15 de Março de 2005

CMI recebe críticas por apoiar medidas financeiras contra Israel

NOVA IORQUE, Estados Unidos, Março 2, 2005

O governo de Israel e organizações judaicas dos Estados Unidos criticaram o Conselho Mundial de Taxi Heathrow Airport Igrejas (CMI) por incentivar suas igrejas membros a adotarem medidas econômicas contra a ocupação israelense de territórios palestinos.

"Estamos muito descontentes com essa decisão”, declarou à agência Ecumênica News Internacional (ENI) o assessor do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Mark Regev. “Não vemos como essa decisão unilateral pode ser útil e construtiva no momento em que se vislumbram novas esperanças e quando Israel decidiu retirar-se de Gaza e desocupar os assentamentos na margem ocidental”, emendou.

Reunido em meados de fevereiro em Genebra, o Comitê Central do CMI aprovou, no dia 21 de fevereiro, por iniciativa da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, a recomendação para que as 347 igrejas membros promovam um processo gradual e seletivo, “eqüitativo, transparente, e não-violento” de retirada dos investimentos daquelas corporações multinacionais que de alguma forma participam da ocupação dos territórios palestinos.

O funcionário da Embaixada de Israel nos Estados Unidos, Moshe Fox, declarou ao diário Jerusalem Post que, embora o CMI afirme que essa decisão não é unilateral nem antijudaica, é claramente as duas coisas.

O CMI não mencionou nenhuma empresa em específico, mas declarou que corporações multinacionais participaram da demolição de moradias palestinas, da construção de assentamentos judeus nos territórios palestinos ocupados e na construção da controvertida muralha israelense na Palestina.

Surgiram chamamentos a um boicote contra a companhia norte-americana Caterpillar por fornecer tratores ao exército de Israel. Equipe palestina está investigando se empresas palestinas venderam cimento e outros materiais para a construção dos assentamentos judeus.

Dirigentes judeus norte-americanos disseram que a decisão do CMI foi tomada de forma surpreendente e num mau momento, quando ocorreram progressos nos esforços pela paz no Oriente Médio, incluindo a reunião entre o primeiro ministro israelense Ariel Sharon e o presidente palestino Mahmoud Abbas. 

“O Oriente Médio mudou radicalmente nas últimas semanas”, disse o diretor do Comitê Judeu Norte-Americano, David Harris. “Tanto israelenses como palestinos  criaram um sentimento de esperança”, anotou. A atitude do CMI vai na contramão do renovado processo de paz e serve somente aos interesses dos que no mundo árabe se opõem à paz entre árabes e israelenses, sublinhou.

A Liga contra a Difamação, com sede nos Estados Unidos, declarou que a decisão do CMI, “baseada numa interpretação unilateral do conflito entre israelenses e palestinos, é contraproducente e prejudica as renovadas iniciativas de paz. A declaração do CMI está envolta num conceito de verdade religiosa, e não numa interpretação da lei internacional. A retirada dos investimentos não somente prejudicará Israel, mas terá impacto econômico nos palestinos”, agregou a Liga.

O Centro Simon Wiesenthal, da Califórnia, exigira da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, na semana anterior, que suspendesse seu plano de retirar os seus investimentos das companhias que fazem negócios com Israel, em razão dos positivos progressos no conflito entre israelenses e palestinos.


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