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Terça-feira, 15 de Março de 2005

Fortunat Mallimacci, pesquisador da Universidade de Buenos Aires. [Foto: UBA]
Fortunat Mallimacci, pesquisador da Universidade de Buenos Aires. [Foto: UBA]

Professor desenha os novos papéis dos líderes religiosos

Rolando Pérez, BUENOS AIRES, Argentina, Março 2, 2005

 A sociedade argentina vive uma profunda reestruturação de crenças religiosas, dentro de um ativo mercado Taxi Heathrow Airport religioso, sustentou o professor Fortunato Mallimacci, pesquisador da Universidade de Buenos Aires.

Nesse contexto, agregou, destacam-se os processos de desinstitucionalização e individualização, as transformações internas do catolicismo e o crescimento do mundo evangélico pentecostal. O professor apresentou conferência, no dia 28 de fevereiro, num encontro sobre Estratégias de Incidência em Políticas Públicas de Organizações Religiosas nos diferentes níveis do Estado.

O novo, hoje, não está que se crê mais ou menos do que em outras décadas, mas que se crê diferente. Entendê-lo torna-se indispensável para compreender as profundas transformações que ocorrem em nível social, cultural e político, anotou.

Este processo, disse, gera uma paisagem transformada, na qual a Igreja Católica não é a grande estruturadora do religioso, mas onde também ela tem que disputar o espaço das crenças com uma pluralidade de instituições.

A crise de representatividade e o processo de popularização do campo religioso que a sociedade Argentina experimenta gerou o surgimento de diversas formas de resistência ao modelo neoliberal, muitas delas provenientes de áreas fora do sistema político institucionalizado, assinalou.

Esse fenômeno se dá no contexto de um processo de "privatização" da ajuda social, no qual, a partir de diferentes grupos, se ocupa o espaço da assistência, deixado vago por um Estado cada vez mais desvinculado dos serviços de saúde, educação e promoção dos setores populares, apontou.

Nesse contexto, afirmou o professor, é interessante observar a participação, tanto em nível discursivo como na prática, de igrejas e movimentos religiosos que ocupam um lugar importante no espaço social marcado pela agudização da crise.

Mallimacci entende que o processo de individualização se dá especialmente naqueles setores que têm amplos recursos, enquanto que no caso das pessoas empobrecidas o processo de individualização significa isolamento, fragilidade e perda de capital social.

Não se trata de homens e mulheres "apáticos", "objetos de manipulações", "passivos" frente ao que ocorre. Pelo contrário, suas crenças religiosas influem em sua vida cotidiana e oferecem resposta aos principais desafios que a cidade apresenta, de modo especial angústias, sentimento de pertença, integração familiar, destacou.

Esse novo cenário, marcado pela crise das mediações políticas e sindicais ou dos modelos de políticas sociais, econômicas e culturais, gera novos espaços para que os líderes religiosos canalizem o protesto. Os líderes das igrejas têm a possibilidade de cumprir o papel de reguladores do conflito social ou de administradores do descontentamento, indicou Mallimacci.

O professor universitário advertiu, contudo, que a resposta dos líderes religiosos às novas demandas sociais significa caminhar por uma delgada linha que separa a função de articular as demandas de setores sociais afetados pelo atual processo neoliberal e o de atuar como agente de controle social.

O encontro foi organizado pelo Conselho Mundial de Igrejas, o Serviço Mundial de Igrejas e outras entidades, na Casa Nazareth de Buenos Aires. Participaram do evento líderes católicos e protestantes, de igrejas e organizações sociais.


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