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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Igreja Católica complica cenário de Gutiérrez

Manuel Quintero, QUITO, Ecuador, Março 1, 2005

 Num contexto de frágeis alianças e crescente oposição, o
presidente Lucio Gutiérrez, do Equador, acaba Taxi Heathrow Airport de descobrir, com pesar, que a influente Igreja Católica, após prolongado silêncio, acaba de se somar aos seus críticos.

"O ambiente de confusão política pode terminar numa ditadura", assinalou, na sexta-feira, 25 de fevereiro, um comunicado da Conferência Episcopal Equatoriana, fazendo eco às acusações que diversos setores da oposição têm levantado contra o Poder Executivo.

A declaração dos bispos católicos coincidiu com a celebração de Te Deum em memória aos heróis da guerra do Cenepa, ao completar uma década do último conflito armado entre Equador e Peru. O presidente Gutiérrez, que responde às críticas com atitudes desafiadoras, optou por não participar do ato, a fim de manifestar publicamente seu desgosto frente à postura dos prelados.

O pronunciamento também expressou a preocupação dos bispos pelo manejo do sistema jurídico, um dos pontos mais ácidos no confronto entre o governo e a oposição.

Em dezembro de 2004, a maioria pró-governo no Parlamento passou por cima da Constituição e nomeou uma nova Corte Suprema de Justiça.  Nas semanas seguintes, essa mesma maioria destituiu os tribunais Constitucional e Eleitoral, o que despertou a atenção das Nações Unidas e a decisão de enviar um relator especial ao Equador, para averiguar a independência do judiciário.

A Conferência Episcopal disse em seu comunicado que está preocupada com a  possibilidade de que "a justiça se converta num instrumento para a guerra".

A postura católica representa uma nova frente de confronto para o já  assediado primeiro mandatário, que, em suas últimas aparições públicas, utilizou um neologismo para qualificar a si mesmo: "dictócrata". Segundo Gutiérrez, enquanto a oligarquia o acusa de ser um ditador, o povo o reconhece como um verdadeiro democrata.

 No campo evangélico, Gutiérrez tem tido o apoio da Federação Evangélica de Indígenas do Equador (FEINE). Porém, a Confraternidade Evangélica Equatoriana, formada por um grande número de igrejas mestiças, tem se manifestado publicamente em duas ocasiões contra as violações que a Constituição do país sofreu e contra os desmandos da maioria parlamentar.