Estiagem preocupa evangélicos
José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Fevereiro 21, 2005
Enquanto acontecem inundações em algumas áreas do continente, em Cuba não chove, fato que preocupa Taxi Heathrow Airport os crentes que o incluem, como tema primordial, em seus motivos de orações.
Dados oficiais estimam perdas aproximadas de 1 bilhão de dólares por causa da falta de chuva nos últimos anos. Fala-se que 127 mil cabeças de gado morreram por causa da falta de água; 700 mil pessoas recebem abastecimento de água através de carros-pipa.
Como “pintaram” as cabañuelas para 2005 – espécie de previsões que camponeses fazem baseando-se na expressão climática dos primeiros dias de janeiro – este será um ano de pouca chuva.
Em conseqüência desse quadro, Cuba deverá realizar experimentos para provocar chuva artificial, a partir da “semeadura” de nuvens pelo sistema de bombardeamento de substância química nas nuvens. Mas isso só deve acontecer a partir de maio.
O cubanos de mais idade relembram o popular personagem de rádio que, na década de 50 do século passado, converteu-se numa espécie de milagreiro. Ele dizia curar de câncer a males do amor, bastava a pessoa interessada colocar um jarro de água sobre o aparelho de rádio, que ele a “magnetizava” a distância. Conta a lenda que Clavelito – esse o nome artístico do curandeiro – fez um careca criar cabelos e que, depois disso, ele se propôs a ir curar Evita Perón.
Outro personagem que aflorou na memória popular é o de Antoñica Izquierdo, mulher que perpetuou o falecido cineasta cubano Manuel Octavio Gómez no seu filme “Los dias del água”, e que fundou o movimento conhecido como a seita dos aquáticos, na província Pinar del Rio, nos anos 30 do século passado.
Contam que ela expulsava os demônios do corpo fazendo o sinal da cruz nas pessoas com água, e ao mesmo tempo proferindo a frase que a tornou famosa: “ Cachorro maldito, vá ao inferno!”
O Conselho de Igrejas de Cuba (CIC) movimentou sua comissão de combate a desastres naturais, a fim de buscar alternativas de financiamento nas diferentes agências do mundo, que permitam materializar uma estratégia de apoio a essa contingência climática.
“Desde o momento que se começou a verificar o fenômeno na província oriental de Las Tunas, o CIC tratou de elaborar projeto de ajuda em coordenação com o Instituto de Meteorologia de Cuba”, explicou a doutora Eliana Ceballo, que coordena o Programa Vida Plena e Saúde Comunitária do organismo de igrejas.
“A Igreja, como parte do problema, tem que contribuir para o bem-estar do povo e para a solução de suas necessidades. Nesse sentido, estamos em diálogo com algumas agências que nos permitam arrecadar fundos para contribuir, mediante métodos totalmente ecológicos, a minimizar a seca”, disse.

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