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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Cardeal nega eucaristia e gera constrangimento

Edelberto Behs, SALVADOR, Brasil, Fevereiro 18, 2005

A eucaristia negada a representantes de igrejas cristãs em missa que se seguiu ao lançamento Taxi Heathrow Airport da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2005, em Salvador, causou constrangimento aos pastores que se posicionaram na fila para recebe-la, na Catedral Basílica de Salvador, no domingo, 13 de fevereiro.

“Sentimos uma profunda tristeza”, relata o pastor Armindo Klumb, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), depois do ocorrido. Quem celebrou a missa no domingo foi o próprio cardeal arcebispo e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Magella.

“Ficamos surpresos por esse gesto da parte do sr. cardeal e sobretudo porque as igrejas desses pastores foram convidadas pela própria CNBB a realizarem, juntas, a Campanha da Fraternidade Ecumênica em 2005”, destaca nota da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), assinada pela sua diretora executiva, Eliana Rolemberg.

Para a CESE, “negar a comunhão aos pastores, diante do altar, na casa do próprio Senhor naquele momento nos pareceu inconcebível. E nos é difícil compreender porque o sr. cardeal agiu daquela forma”.

Oito igrejas participaram do lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2005 na Catedral, em Salvador, no domingo. Mas somente quatro representantes de igrejas – episcopal anglicana, ortodoxa siriana, batista Nazareth e evangélica de confissão luterana – participaram da missa celebrada logo após o lançamento.

O próprio arcebispo convidou os pastores dessas denominações a participarem da missa em lugar de honra, junto ao altar. No momento da eucaristia, porém, ele negou o pão a esses pastores sob a alegação de que não era permitido ao celebrante conceder a comunhão.

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) lamenta o constrangimento sofrido pelos participantes da missa celebrada na Catedral de Salvador logo após o lançamento da Campanha da Fraternidade.

“A competência dos mestres de cerimônia poderia ter evitado tanto o constrangimento dos pastores que se aproximaram da mesa eucarística certos de poder fazê-lo quanto o embaraço do senhor arcebispo de Salvador, que, em observância às orientações da Igreja Católica, tomou a decisão de não admitir à comunhão eucarística os pastores que a pediam”, esclarece a nota do CONIC.

A hospitalidade eucarística entre igrejas e comunidades cristãs é uma prática e uma meta a ser alcançada. Embora admita exceções, a Igreja Católica, segundo o CONIC, tem objeções a essa prática. O organismo ecumênico nacional sugere, para evitar futuros constrangimentos, que os ministros católicos orientem antecipadamente os hóspedes de outras igrejas.

Mas também faria bem se pastores de outras denominações, quando convidados, procurassem se informar sobre os procedimentos litúrgicos da igreja hospedeira, recomendam o pastor Ervino Schmidt e o padre Gabriele Cipriani, do CONIC.

Em Salvador, o lançamento da Campanha da Fraternidade foi um momento, e a missa, que se seguiu, outro momento. “O caráter não-ecumênico da celebração e a insensibilidade do cardeal simplesmente fornecem mais argumentos para aqueles setores de todas as nossas igrejas que são contra a Campanha da Fraternidade Ecumênica”, lastima o pastor Anivaldo Padilha, da organização de serviço Koinonia.

O ecumenismo, descreveu o bispo episcopal anglicano Sebastião Armando Gameleira Soares, de Pelotas, no Rio Grande do Sul, é “um sofrido caminho de incompreensões e de cruz, mas também de grandes avanços e de enormes alegrias no Senhor”.

Gameleira explicou, em comentário dirigido à CESE e sua nota, que a “Igreja de Roma tem restrições à intercomunhão”. Lembrou, contudo, que o Concílio Vaticano II, no Decreto do Ecumenismo, dá aos bispos diocesanos a prerrogativa de decidir a abertura da mesa eucarística em ocasiões especiais, considerando motivos “pastorais”.

“Ora, a ocasião era justamente propícia para levar em conta esses especiais motivos pastorais. Que pena, o cardeal ter perdido a oportunidade de agir como bispo local de uma Igreja diocesana e simplesmente aplicar o Concílio!”, - expressa o bispo anglicano, que se solidariza com os constrangidos “nessa íngreme subida ao Monte da unidade”.