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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

CEBs estão perplexas com política do governo Lula, diz professor

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 4, 2005

Depois de 40 anos de caminhada, as comunidades eclesiais de base (CEBs) continuam vivas no Taxi Heathrow Airport Brasil, têm características que as identificam, mas se deparam com pelo menos dois problemas: o modelo clerical de igreja e a relação com o Partido dos Trabalhadores (PT).

A análise é do professor Pedro Assis Ribeiro da Oliveira, da Universidade Católica de Brasília, e assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apresentada no evento "Lidando com o fundamentalismo e a discriminação religiosa no Brasil".

O evento foi programado pelo Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro (MIR) e pela Iniciativa das Religiões Unidas (URI, a sigla em inglês) no V Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

Nas cerca de 80 mil CEBs brasileiras acontecem celebrações uma vez por semana, no sábado ou no domingo. E uma das características é que essas celebrações são feitas por leigos, geralmente mulheres, inspirados na Bíblia.

Não existe CEBs sem um grupo de estudo bíblico. Ligar a leitura da Bíblia com a vida e a luta política é uma decorrência natural nas CEBs, explicou o professor universitário.

Agora, as CEBs estão com algumas questões pendentes. A primeira, é impossível mudar a sociedade, se a igreja não mudar, ainda mais uma igreja clerical como a católica, apontou Ribeiro. "Temos na Igreja Católica uma nova forma de viver comunidade, mas velha na cúpula", apontou.

Um segundo problema é de cunho político. As CEBs ajudaram a eleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e descobriram, agora, "que não era bem esse tipo de governo que elas queriam", disse Ribeiro. O governo tem um monte de qualidades, mas está indo na direção errada, opinou.

A política do governo Lula é crescimento a qualquer custo, para melhorar a relação do Produto Interno Bruto (PIB) e a dívida pública, estimada em 900 bilhões de reais (cerca de 334 bilhões de dólares). "O Brasil está crescendo, o presidente Lula está feliz da vida, e as CEBs, que embarcaram na proposta do PT, estão perplexas", afirmou o assessor da CNBB.

O PT é, no momento, uma agremiação de políticos profissionais. O PT não é mais uma ponte entre as CEBs e o Congresso, através do qual as CEBs possam encaminhar suas reivindicações. "Agora, o que vale é a política de resultados", alfinetou.