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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Religiões se unem no Território Social pela paz

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 31, 2005

Colado ao cenário do rio Guaíba e do Parque Marinha do Brasil, religiões e confissões Taxi Heathrow Airport reuniram-se no Território Social Mundial e mostraram, no domingo, 30, que podem celebrar juntas. A tenda que abrigou a cerimônia, com capacidade para 1 mil pessoas, estava lotada de jovens, adultos e pessoas da terceira idade.

Todos os rios que existem correm para um mesmo lugar. Assim são as religiões: todas elas pregam a paz universal e apontam para Deus, disse o padre jesuíta José Ivo Follmann, do Grupo Inter-Religioso de Diálogo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Na mesa celebrativa estavam dispostos vários frascos de vidro, de diversos formatos e tamanhos. O padre José Ivo encheu-os de água e explicou: "Cada religião é como um frasco, frágil, na qual a água se ajeita. A forma é limitada, a água representa Deus".

"Senhor, faze as religiões concordarem e que todas as nações sejam uma e tenham a terra como um lar", pediu o padre católico Roberto Paz, representante da Associação Cristã de Moços (ACM) de Porto Alegre, que também abriga um grupo de diálogo inter-religioso.

A carta de princípios do grupo de diálogo da ACM, distribuída na celebração, acredita que "a unidade é possível, respeitando-se a diversidade de cada religião, e que a paz é a vocação de todo o universo".

Acredita que um mundo sem violências, guerras, devastações, poluição e desrespeito é possível através da conscientização das gerações atuais e futuras, "e que ela se dará mais por ações do que apenas por palavras".

O islamismo, disse Ahmad Ali, do Centro Cultural Islâmico, tem entre os seus fundamentos a busca do bem comum da humanidade. "Deus é o dono de todas as religiões e todas as religiões têm um caminho, o caminho de Deus", afirmou, enquanto a tenda recebia a força do fogo sagrado.

Em seguida, o professor Guershon Kwasniewski, da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência, agradeceu a Deus pelo dom da vida e trouxe à tenda preces cantadas. O padre católico lembrou São Francisco de Assis, o precursor do diálogo inter-religioso, e o povo cantou "Senhor, fazei de mim um instrumento da tua paz!".

A pastora luterana Cleide Schneider chamou os presentes à responsabilidade pela vida e pediu a força de Deus para a construção de um mundo mais justo e melhor. O bispo anglicano Almir dos Santos fez um chamamento à paz.

Três "om" ecoaram pela tenda e a monja Angélica Zuiten, da Associação Zen Budista, pediu harmonia entre os povos, respeito às diferenças e eqüidade entre homens e mulheres na construção de um mundo melhor, "que é para aqui e agora, não para amanhã", frisou.

Monges hinduístas fizeram soar seus tambores e destacaram o amor. Padre Sérgio, do Haiti, rezou em inglês a oração que Jesus ensinou. Adeptos da religiosidade Brahma Kumaris pediram paz e seguidores da Hare Krishna jogaram pétalas de flores aos que estavam na tenda.

"Pai, planta no coração das pessoas a humildade verdadeira e que todos vejam no seu semelhante um irmão", orou Marcos Cícero Teixeira, do Espiritismo Kardecista. Muito axé, abençoou mãe Dolores Sinhazinha, da Religião Africanista.

A umbanda, disse a mãe-de-santo Águida Guiomar, canta, defuma, reza e busca ensinamentos de todas as religiões para alcançar a vontade de Oxalá.

A mensagem do povo da floresta foi lembrada por Rafael Martini, da Igreja Eclética da Fluente Luz Universal, também conhecida por Santo Daime, e um xamã, dando a batida com o seu tambor, pediu pela saúde da terra e das águas.

Os participantes amarraram, cada um no pulso da pessoa ao lado, uma fita branca, num ambiente de grande ternura e aproximação. "Esse laço representa o vínculo eterno da fraternidade e solidariedade com a grande família humana", destacou o celebrante, concluindo: "Todos nós somos a família global, filhos de um só Pai".   

Povos indígenas que realizavam marcha pelo Território Social em defesa de seus direitos foram saudados por cristãos, muçulmanos, judeus, budistas, hinduístas, espíritas e umbandistas com uma salva de palmas quando passaram pela tenda das religiões.