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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Militantes do movimento social são considerados terroristas, relata

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 28, 2005

Depois da derrocada do comunismo e na arquitetura militar das novas ameaças à segurança nacional, Taxi Heathrow Airport todo militante do movimento social, na medida em que se converte num ator político, é um terrorista em potencial.

"Isso é um absurdo, pois no Equador comunidades indígenas inteiras que lutam contra mineradoras e madeireiras na defesa de suas terras e culturas estão sendo criminalizadas", disse o militante equatoriano Alexis Ponce, que apresentou a tese acima na oficina "Mídia e criminalização dos movimentos sociais", promovida pela Anistia Internacional no V Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

Ponce constata uma relação entre crise econômica e criminalização do movimento social. Outro painelista, Gilmar Geraldo Mauro, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), disse que no Brasil existe um pensamento autocrático histórico, muito presente na elite e na classe média alta: pobre não pode participar da vida política. Pobre é para trabalhar.

Ponce responsabilizou os meios de comunicação de massa pela satanização dos movimentos populares. Contou que antes de viajar ao Brasil para participar do V Fórum Social Mundial ele leu, em jornal do Equador, que esse era um evento de terroristas.

Gilmar Mauro afirmou que os meios de comunicação de massa cumprem a tarefa ideológica de desinformar a população. Relatou que a experiência do MST com a imprensa teve quatro fases.

Na primeira, a grande mídia ignorou a luta pela terra. Numa segunda fase, houve a tentativa de dividir o movimento. A terceira etapa foi a da cooptação e na quarta fase, já durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a de criminalização aberta do MST.

"Nós não esperamos que a mídia fale bem da gente", ironizou, porque quando isso acontecer "nós vamos ter que reavaliar o nosso movimento e mudar de rumo".

Gilmar Mauro relatou que o Poder Judiciário "chegou a prender, processar e condenar militantes do MST com base em notícias publicadas nos jornais". No governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a Polícia Federal tinha como nona prioridade o monitoramento do MST, enquanto o combate ao narcotráfico aparecia na trigésima terceira posição, relatou o líder do movimento dos sem-terra.

O líder dos piqueteiros argentinos, Dario Dias, do movimento Teresa Rodríguez, afirmou que antes de brigar com a polícia, com os militares, é preciso brigar contra os charlatões. Também é charlatanismo os estudos oficiais e "científicos" realizados por especialistas para demonstrar a  realidade econômica, assinalou.

Dias contrapôs uma série de dados da economia do país com dados que falam da qualidade de vida dos argentinos. Fixando os olhos nos dados econômicos, o país vai bem. A economia da Argentina cresceu 8% em 2004, o país exportou 31,5 bilhões de dólares, o PIB cresceu 12% e 14,2 milhões de hectares estão semeados.

Mas os dez por cento mais ricos concentram 48% da riqueza do país e ganham 31 vezes mais do que aqueles que estão na outra ponta; a taxa de desemprego é de 19,5% da população economicamente ativa, 450 mil argentinos sofrem fome severa e a cada hora acontecem 47 acidentes de trabalho no país, ou seja, quase um acidente por minuto.

Olhando para a economia, a Argentina vai bem. Mas os dados sociais contestam todo esse desenvolvimento que beneficia uma minoria, comparou.