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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Juan Abelardo Schvindt, secretário geral da Igreja Evangélica do Río da Prata, questiona postura católica. [Foto: M. Quintero]
Juan Abelardo Schvindt, secretário geral da Igreja Evangélica do Río da Prata, questiona postura católica. [Foto: M. Quintero]

Pastores comentam relatório da Transparência Internacional

Manuel Quintero, QUITO, Ecuador, Janeiro 29, 2005

O relatório da organização não-governamental alemã Transparência Internacional (TI), que coloca a América Latina entre Taxi Heathrow Airport as regiões do mundo com maior corrupção, provocou reações de líderes de igrejas do continente.

Segundo o chamado Barômetro Global da Corrupção 2004, os políticos latino-americanos estão entre os mais venais. O Barômetro é calculado sobre a base de pesquisa aplicada em 64 países do mundo, a mais de 50 mil pessoas.

Na pesquisa foi perguntado ao público em geral até que ponto percebia que certas instituições (políticas, parlamentos, polícia, entre outros) eram afetadas pela corrupção.

Na opinião dos seus cidadãos, o Equador aparece como o país da América Latina com os políticos mais corruptos. Numa escala de um a cinco, na qual um quer dizer não-corrupto e, cinco, extremamente corrupto, o Equador alcançou 4,9 pontos, seguido da Argentina e do Peru, com 4,6 pontos.

O relatório da Transparência Internacional, segundo o pastor Juan Abelardo Schvindt, secretário executivo da Igreja Evangélica Reformada do Rio da Prata (IERP), é parcial.

Num mundo globalizado e levando em conta a mesma história da América Latina, não basta mostrar uma das "pontas" da corrupção, disse.

Por isso o relatório da Transparência Internacional é apenas uma das faces da moeda e vale perguntar a quem esse tipo de relatório beneficia e se acaso é possível ver a corrupção isolada da história que a promoveu e gerou, argumentou o pastor Schvindt.

Na Argentina, completou, "não podemos reduzir a corrupção a um simples delito de 'tráfico de influências' do governo de turno, já que a corrupção tem que ver não apenas com a economia e a política. Tem que ver com outros agentes e pessoas, além de situações e circunstâncias. Por isso é, sobretudo, uma manifestação muito mais complexa e que abarca todos os níveis da vida".

Embora seja correto assinalar a corrupção no poder político, militar e de polícia, é preciso, contudo, "seguir até as atitudes mais cotidianas das pessoas", assinalou.

"Desde o suborno para que nos façam a carteira de trânsito até evitar o número no hospital porque somos amigos ou amigas do chefe da enfermaria, ou subornando o pessoal da aduana para que nos permitam passar um elefante. Sem falar dos que adulteram seus balanços ou agregam ganhos - como dizem as Escrituras - injustos", acrescentou.

A posição é compartilhada pelo pastor Eduardo López, presidente da Confraternidade Evangélica Equatoriana (CEE), para quem o fenômeno da corrupção não se limita aos níveis governamentais e às esferas de poder político e econômico, mas também aos cidadãos comuns, que participam de atos de corrupção em busca de vantagens pessoais. "Existe uma cultura da corrupção generalizada em todo o país", disse.

López destaca que a Confraternidade impulsionou uma série de atividades para expor a realidade de corrupção que o país vive, e desafiou igreja e sociedade a adotarem "um novo estilo de vida, um estilo de vida baseado nos valores do Evangelho".

"Agora que as igrejas evangélicas cresceram e têm a possibilidade de serem escutadas, corresponde-nos ser sal e luz na sociedade, lutar contra o espírito do materialismo, que é uma das causas da corrupção, e propor em troca um espírito de serviço e de solidariedade com os mais necessitados", enfatizou o presidente da CEE.

Schvindt acredita que as próprias igrejas "não estão livres de suspeita quando falamos de corrupção e do exercício do poder. Por isso devemos trabalhar por uma transparência plena tanto para o interior das igrejas como para o interior de nossas próprias sociedades".

Trata-se de trabalhar a partir da dupla ação da denúncia e do anúncio: "Denúncia do que vemos e anúncio do que somos. E, a partir daí, construir uma relação crítica com a cultura e com a sociedade, orientada para uma convivência baseada na construção de um projeto comum de vida", afirmou. Porque a corrupção, concluiu, "mata e gera morte".