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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Ganhos e déficits do Fórum Social Mundial na comunicação

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 27, 2005

A comunicação abre um espaço político, de criação de agendas, mais estratégico do que qualquer Taxi Heathrow Airport parlamento. Sem a Internet não seria possível um Fórum Social Mundial (FSM), avaliou o diretor  geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e um dos organizadores do fórum, Candido Grybowsky.

Numa autocrítica bastante contundente realizada perante jornalistas e comunicadores presentes no I Fórum Mundial da Informação e Comunicação, nesta capital, Grybowsky assinalou que a Internet também deixa muita gente fora do processo de reflexão do fórum.

"Os participantes são as elites das organizações. Falta toda uma participação do setor popular no FSM, o que tem a ver com políticas de comunicação", admitiu o diretor do Ibase.

Dá para dizer que o Fórum Social é mundial? "Dá para contar a dedo os participantes nessa quinta edição que vêm do Leste europeu, do mundo árabe, da China", mencionou Grybowsky. Um outro problema, arrolou, é que para se tornar mundial "usamos o inglês, que vem a ser uma dominação cultural, o que nós combatemos no FSM".

Um segundo déficit político do FSM é a sua expansão, além do déficit como expressão da sociedade civil internacional, da diversidade social e cultural. "Temos um problema geracional. As grandes mudanças acontecem no espaço de uma geração. Por isso queremos que os 30 mil, 40 mil jovens que estarão no Acampamento da Juventude nos dias do FSM se sintam bem entre nós", destacou o integrante do comitê organizador do evento.

"Temos que ser reconhecidos", adiantou, o que em parte acontece porque o Fórum é um fato midiático. Agora, contrapôs, 60% dos brasileiros informam-se pela televisão. "Qual é a nossa presença na televisão?" - indagou.

O diretor do Ibase reconheceu que o FSM, "por enquanto, tem mais segmentação e confusão do que diversidade. Basta olhar para o programa do Fórum, com mais de duas mil atividades agendadas", argumentou.

A prioridade da comunicação no FSM constitui-se num problema pedagógico, afirmou. Se falta dinheiro na organização do evento, corta-se, como em tantos outros setores produtivos, da comunicação. "Ou seja, cortamos as veias que nos alimentam", disse.

Cadastraram-se para a cobertura do V FSM mais de cinco mil profissionais de imprensa, de 65 países dos cinco continentes, representando mais de 1 mil veículos de comunicação.

Mesmo com todo esse contingente de repórteres e fotógrafos, o FSM está longe de uma articulação de comunicação como base de apoio à sociedade civil e de mudança da realidade. A avaliação é do secretário geral da Mídia Watch Global, Roberto Sávio.

O FSM como evento recebe cobertura razoável, mas falta uma política de comunicação que se estenda para além dos eventos, que conte com jornalistas e mídias comprometidas com um "outro mundo possível", uma "outra comunicação possível" para a transformação da sociedade. Por enquanto, esse conjunto está disperso.