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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Rogate Mshana, executivo do programa de Justiça Econômica, do CMI [Foto: E-Alliance]
Rogate Mshana, executivo do programa de Justiça Econômica, do CMI [Foto: E-Alliance]

Capitalismo seqüestrou mandamento do amor, disse Mo Sung

Micael Vier B., PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 25, 2005

 O teólogo sul-coreano e professor da Universidade Metodista de São Paulo, Jung Mo Sung, disse Taxi Heathrow Airport que o capitalismo seqüestrou o mandamento do amor e os caminhos de realização do desejo. Na contemporaneidade, só o mercado tem a capacidade de saciar os anseios, sublinhou.

Mo Sung e o economista tanzaniano Rogate Mshana, que trabalha no Conselho Mundial de Igrejas (CMI), abordaram o tema “Teologia e mercado” no Fórum Mundial de Teologia e Libertação, reunido em Porto Alegre de 21 a 25 de janeiro.

Autor da obra “O sujeito e a sociedade complexa”, Jung Mo Sung destacou que a Teologia assumiu o mundo como moderno e dialoga cada vez mais com as Ciências Sociais. “Na Idade Média a Filosofia dava conta de falar da sociedade por ela ser estática”, explicou.

Na Idade Média, continuou o doutor em Ciências da Religião, as catedrais ofereciam nos vitrais imagens de santos que a população via como exemplos de bondade e sabedoria. Ele indagou quais seriam hoje as instituições hegemônicas capazes de atrair desejos e oferecer exemplos do ser humano ideal?

Ninguém mais liga para imagens dos santos, assinalou Mo Sung. “Beckham, Gisele Bündchen, Xuxa e Ronaldinho são os símbolos que personificam o desejo nos dias de hoje”, completou. O mercado apropriou-se dos caminhos da realização do desejo e a grande mentira do mundo contemporâneo foi afirmar que “querer é poder”. “Queremos mais do que podemos e por isso acabamos nos frustrando”, arrolou.

Mo Sung reportou-se à teologia da graça, que proclama que a pessoa é o que é, não importando o que ela tem. “Somos antes de qualquer diferença social. Se o pobre é tratado mal por ser pobre então eu seria reconhecido apenas porque tenho dinheiro e não pelo que verdadeiramente sou”, reconheceu.

Na sociedade de consumo “nós somos o que compramos”. É por isso que a Nike não vende somente seus produtos, mas um estilo de vida, e é por isso que a marca McDonalds está avaliada em 68 bilhões de dólares e a Coca-Cola em mais de 40 bilhões de dólares, disse o sul-coreano.

Em sua intervenção, o economista Rogate Mshana advertiu que a justiça nas relações comerciais é um princípio bíblico. No entanto, o mercado distribui serviços eficientes somente àqueles que têm poder aquisitivo. Como esse poder aquisitivo poderia ser compartilhado por todos é um dos desafios da Igreja, assinalou.

Mshana disse que o mercado poderia ser equiparado a uma corrida entre leões, tigres, sapos e tartarugas. Ao competir com os ricos os pobres sempre irão perder. Então é preciso proteger os pobres, enfatizou.

O economista que trabalha no Conselho Mundial de Igrejas (CMI) advertiu que muitas coisas nem ao menos poderiam ser comercializadas, como é o caso da saúde, educação, justiça, dignidade, respeito, amor e graça. Na sociedade de consumo “nós sempre somos clientes e não seres humanos e por isso lidamos com contratos comercias e não sociais”, concluiu.