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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Organizações vão propor anulação da dívida dos países atingidos por tsunami

Micael Vier B., PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 25, 2005

 A Rede Jubileu Sul e o Comitê pela Anulação da Dívida Externa do Terceiro Mundo Taxi Heathrow Airport (CADTM) vão pedir, no V Fórum Social Mundial (FSM), a anulação total, imediata e incondicional da dívida pública externa dos 12 países atingidos pela tsunami, no final do ano passado, no sudeste da Ásia e no leste da África.

A proposta é diferente da que vem sendo trabalhada pelo G-7, formado pelos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália, Canadá e pelo Clube de Paris, que inclui a Rússia. Os países desenvolvidos discutem uma moratória ou congelamento momentâneo da dívida dos países asiáticos e africanos arrasados pela tsunami.

"Nós propomos uma solução definitiva, que é o cancelamento dos débitos", explicou Rosilene Wansetto, da coordenação da Rede Jubileu Sul.

O CADTM também vai propor, no Fórum, a criação do Observatório Internacional da Dívida Externa, que terá a função de reunir dados para alimentar as campanhas em favor da abolição da dívida dos países pobres, e analisar de forma crítica as ações do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e dos países credores.

Durante o Fórum, organizações sociais envolvidas com o tema pretendem organizar a Assembléia dos Países Credores da Dívida Social e Ecológica, e propor a auditoria da dívida do Terceiro Mundo.

A necessidade de pagar os juros faz com que ecossistemas, como a região da Amazônia, sejam destruídos cada vez com maior rapidez, explica o economista e cientista político Eric Toussaint, presidente do CADTM. Toussaint é autor do livro "A bolsa ou a vida, a dívida externa do Terceiro Mundo".

Para a Rede Jubileu Sul, uma auditoria da dívida externa vai demonstrar que os países do Terceiro Mundo já pagaram seus débitos várias vezes e são, na verdade, credores do mundo desenvolvido, por causa dos juros e serviços aviltantes.

A dívida total dos países pobres chega à casa do 1,6 trilhão de dólares, o que "configura um escândalo", diz Troussaint. Em 2004, os países pobres transferiram 300 bilhões de dólares para os países desenvolvidos, somente a título de juros e serviços, denuncia.

As nações atingidas pela onde gigante, que matou mais de 220 mil pessoas no dia 26 de dezembro passado, acumulam dívida de 272 bilhões de dólares. Só a Indonésia, um dos países mais afetados pela catástrofe natural, deve 130 bilhões de dólares.